“A Estrada do Colono não existe mais. Foi inteiramente tomada pela floresta e não deve ser reaberta”, afirma deputado Goura

Após um sobrevoo de helicóptero sobre o Parque Nacional do Iguaçu, realizado, na quinta-feira (28), em Foz do Iguaçu, na Região Oeste Paranaense, o deputado Goura (PDT-PR), presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa, acompanhado do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal, constatou que a proposta de reabertura da Estrada do Colono, que tramita no Congresso Nacional, não é viável e seria um crime ambiental porque a mata no local da dita estrada está completamente regenerada.

“Essa Estrada do Colono que querem reabrir, no coração do Parque Nacional do Iguaçu, não existe mais. Foi o que constatamos neste sobrevoo. Não faz sentido nenhum a reabertura, pois a estrada foi tomada pela floresta”, disse Goura. Segundo ele, é preciso preservar este santuário que é um dos poucos remanescentes da Mata Atlântica. “Devemos preservar o Parque Nacional para as futuras gerações. Vamos lutar pelo fortalecimento e ampliação das Unidades de Conservação do Brasil. Basta de retrocessos. Temos que dizer não à Estrada do Colono e a outros ataques ao meio ambiente”.

Presidente da CMA do Senado
“Em nosso mandato e pela CMA, defendo a preservação do Parque Nacional. É uma unidade de conservação que precisa de recursos para sua conservação e para melhores cuidados. Temos de ter em conta que esse é um dos poucos locais de conservação de Mata Atlântica, no país, um bioma riquíssimo, mas muito atacado em caças predatórias, extração ilegal de palmito e de madeiras. Infelizmente, sofre com a ameaça de extinção de espécies, dentre elas a onça-pintada. Não podemos nos calar diante dessa situação! Tampouco, permitir a reabertura da Estrada do Colono. Constatamos, graças a Deus, que está fechada! Desapareceu! Ainda bem!”, escreveu o senador Contarato nas suas redes sociais, após o sobrevoo.

O senador anunciou que irá promover no Senado Federal uma audiência pública para tratar das propostas de reabertura da Estrada do Colono que tramitam no Congresso Nacional. O sobrevoo dos parlamentares aconteceu com o apoio do ICMBio e da Rede Pró-Unidades de Conservação.

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Os dois parlamentares também se encontraram com a procuradora da república Daniela Caselani Sitta, do Ministério Público Federal (MPF), em Foz do Iguaçu, que apresentou o relatório da diligência feita, em agosto deste ano, no qual foi constatado “a regeneração total da vegetação na área do leito da antiga Estrada do Colono”. A diligência foi realizada para instruir um inquérito civil que apura a possibilidade de reabertura da rodovia no interior do parque, entre os municípios de Serranópolis do Iguaçu e Capanema.

Reabertura provocará danos ambientais
Para o MPF, a reabertura da Estrada do Colono, além do desmatamento, também provocaria outros danos ambientais, como: a “ruptura” do ecossistema, com o consequente isolamento de animais, pois algumas espécies não atravessam áreas desmatadas; erosão e assoreamento de cursos d’água; o chamado “efeito de borda”, que consiste na alteração nas condições microclimáticas (temperatura, umidade, insolação, vento etc.) e produz grande desequilíbrio no bioma como um todo; morte de animais por atropelamento; difusão de doenças e contaminação biológica devido ao tráfego de veículos e de pessoas; risco de degradação ambiental por acidentes de trânsito dentro do Parque, com o consequente vazamento de combustível e a facilitação da presença de pescadores, caçadores e palmiteiros.

Confira, clicando na imagem abaixo, o relatório da diligência do MPF-PR

Dia Internacional da Onça pintada
O deputado e o senador também participaram da exposição pública e do anúncio dos resultados do censo 2018 sobre a população de onças no Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, e no Parque Nacional del Iguazu, na Argentina, que aconteceu, nesta sexta-feira (29), na cidade de Puerto Iguazú (AG), em comemoração do Dia Internacional da Onça Pintada, criado na 14ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-14), que ocorreu no Egito, em 2018, e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“Os dados divulgados só confirmam a necessidade de preservação do Parque Nacional do Iguaçu e porque a reabertura da Estrada do Colono não deve acontecer. O Corredor Verde formado pelos parques no Brasil e na Argentina e sua preservação proporcionou o aumento das onças na região”, comentou Goura. Segundo o censo, Como resultado, o número de onças-pintadas no Corredor Verde passou de 90 em 2016 para 105 em 2018. No Parque Nacional do Iguaçu, passou de 22 animais em 2016 para 28 em 2018.

Assista à matéria da RPC-Foz sobre o aumento da população de onças no Parque Nacional do Iguaçu, clicando na foto abaixo:

O aumento populacional é o resultado direto da cooperação internacional entre o WWF-Brasil, Fundación Vida Silvestre Argentina (FVSA), Parque Nacional do Iguaçu, Parque Nacional Iguazú, Projeto Onças do Iguaçu (Instituto Pró-carnívoros), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Veja a matéria sobre o censo divulgado no site do WWF-Brasil, clicando na imagem:

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