A preservação da Floresta de Araucária depende de políticas públicas de preservação

“É fato que a Floresta de Araucária está em extinção, que as políticas públicas para a sua conservação não são eficientes e que é urgente se pensar em soluções para salvar esta espécie, que é símbolo do Paraná”, comentou o deputado estadual Goura (PDT) ao falar sobre a audiência pública “Conservação da Floresta de Araucária”, promovida, na terça-feira (10), pela Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná, presidida por ele.

“Após todas as intervenções dos representantes das universidades, dos órgãos ambientais públicos e de ambientalistas presentes da audiência ficou claro que a conservação da Floresta de Araucária precisa ser tratada seriamente”, disse Goura. “E que não podemos misturar os temas. Uma coisa é definir políticas de preservação da floresta e outra a proposta de permitir o plantio de araucária para a exploração comercial”, explicou.

Goura disse que a audiência também como motivação o projeto de Lei 495/2019, que estabelece regras de estímulo, plantio e exploração da atividade da Araucária Angustifólia no estado. O projeto é de autoria dos deputados Luiz Claudio Romanelli (PSB), Hussein Bakri (PSD) e Emerson Bacil (PSL).

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Ciência e política
“O objetivo da audiência também foi o de dar subsídios para que os membros da comissão possam ter como avaliar este projeto que está tramitando”, informou. “As decisões políticas, tanto dos poderes Executivo quanto do Legislativo, não podem prescindir da ciência, da pesquisa científica, como orientação na tomada de decisões”, comentou Goura.

O corte da araucária é proibido desde 2006 no Paraná, mas a proibição não impediu que a mata nativa tenha diminuído desde então. Segundo dados apresentados pela professora do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcia Cristina Mendes Marques, as áreas remanescentes florestais de araucária estão diminuindo.

Floresta em extinção
“A Floresta de Araucária é uma das mais ameaçadas do mundo. Os remanescentes no Brasil eram de 12% em 2009 e não passam de 6,5% em 2019. Sendo que a maioria dessas áreas são fragmentos pequenos, dos quais menos de 2% são protegidos”, alertou a professora.

Um dos ambientalistas presentes, o diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, protestou contra a falsa afirmação de que foi a proibição do corte, como se divulga em alguns meios, que levou ao estágio de extinção da araucária.

“Não existe realmente nenhum tipo de política pública de preservação da araucária. É isso que promove a sua extinção”, disse. Segundo ele, nenhum ambientalista é contra o plantio e que o plantio não representa conservação.”

A audiência contou ainda com a participação dos deputados Evandro Araújo (PSC) e Delegado Recalcatti (PSD), do professor da UFPR, Flávio Zanetti, especialista em araucárias, e do engenheiro florestal Sandor Sohn, do Instituto Água e Terra e representante da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e Turismo.

Assista ao vídeo com a integra da audiência pública:

E aqui a matéria com as entrevistas sobre a audiência: