Agrotóxico aumenta em 59% o risco de câncer de mama em mulheres expostas aos venenos, diz pesquisadora

A convite do presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Goura (PDT), a bioquímica e professora da Unioeste, campus de Francisco Beltrão, Carolina Panis, usará o grande expediente da sessão plenária desta segunda-feira (25) para falar sobre sua pesquisa relacionando o agrotóxico com o câncer de mama em mulheres ocupacionalmente expostas e esse tipo de veneno.

 

“Este é um assunto que tem movido grande parte das ações e dos esforços do nosso mandato, que é a defesa de uma Curitiba e RMC livre de agrotóxicos, a defesa de políticas públicas que fomentem a incentivem agroecologia, e a definição de regras que garantam uma pulverização área sem riscos para a saúde da população, da fauna e do meio ambiente em geral”, observou Goura ao frisar que o tema é de extrema importância e deve estar presente no debate político e na pauta da Casa.

 

A pesquisa rendeu à professora Carolina o 34º Prêmio de Ciência de Tecnologia do Paraná, considerada a maior honraria que um cientista pode receber no Estado.

 

Carolina é professora no curso de Medicina e no Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde; pós-doutora em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer do Rio de Janeiro, mestre e doutora em Patologia, pela Universidade Estadual de Londrina. Atualmente, também é pesquisadora visitante no Departamento de Saúde Ambiental da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

 

Risco e 59% maior

 

O estudo, que investigou à agressividade do câncer de mama em mulheres que trabalham na agricultura familiar e que tem contato direto com agrotóxicos, seja por meio da manipulação, da aplicação ou mesmo pelo contato com roupas e equipamentos contaminados, foi realizado no Sudoeste do Paraná, região que mais consome agrotóxico e berço da agricultura familiar no estado.

 

“O risco de uma mulher exposta aos agrotóxicos, desenvolver câncer de mama é de 59% maior quando comparada àquelas não-expostas, ou que vivem na cidade”, destacou a professora.

 

Segundo Carolina, a partir desta pesquisa, identificou-se que, mulheres nessas condições apresentam falhas em alguns mecanismos que são importantes para defesa contra tumores.

 

Esta exposição faz com que uma série de proteínas que o nosso sistema produz para combater os tumores não funcionem. Isso provoca o aumento no número de casos de câncer de mama, a diminuição da faixa etária em que essas mulheres apresentam a doença, a agressividade dos tumores, bem como o aumento da taxa de mortalidade.

 

É importante destacar que nesse contexto, a mulher tem um papel muito importante. É ela que prepara o agrotóxico, muitas vezes ajuda na pulverização e é ela que lava a roupa que o marido usa. Então o contato com o veneno é direto.

 

Outro dado importantíssimo é que 94% das mulheres responderam não usar nenhum tipo de luva, máscara ou qualquer outro equipamento de proteção para manipular esses produtos.

 

Clique na imagem abaixo e veja os principais pontos da pesquisa.

 

 

Menção Honrosa

 

Após a fala no grande expediente, Carolina Panis recebeu uma menção honrosa, proposta pelo deputado Goura, em razão da sua pesquisa.

 

“Os resultados apresentados são realmente assustadores. É um assunto gravíssimo que precisa ser olhado com toda atenção e urgência pelo poder público e pelos órgãos de saúde”, finalizou Goura.