O deputado estadual Goura fez uma visita ao Litoral do Paraná, na quinta-feira (21), para conhecer o Porto de Paranaguá e conversar com o mestre Aorelio Domingues da Associação de Cultura Popular Mandicuera da Ilha dos Valadares. Segundo ele, visitas como estas se repetirão por todo o Paraná. “Será uma rotina do Mandato”, disse.

Goura falou sobre a importância da vista. “São importantes para conhecermos as realidades locais e definirmos estratégias de atuação para o mandato. Como consequência iremos propor a realização de uma audiência pública na Assembleia para debater a cultura dos povos tradicionais, dos caiçaras e dos índios do litoral do Paraná”, anunciou.

Confira as fotos:

No porto, Goura foi recebido pelo diretor de Meio Ambiente da Appa (Administração dos Portos do Paranaguá e Antonina) João Paulo Ribeiro Santana, que explicou o funcionamento e apresentou a faixa de cais ao deputado. “São muito importantes visitas como esta do deputado Goura ao porto. Ainda mais agora que é o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia”, disse Jopa, como ele é mais conhecido pelos amigos.

“Conversamos sobre o desenvolvimento sustentável do Litoral do Paraná e as ações mitigadoras e compensatórias que o porto pode ter com Paranaguá e as comunidades caiçaras. Foi uma ótima conversa com o diretor ambiental”, disse Goura. “Tudo no porto tem uma escala impressionante. Por isso, a relação com o litoral como um todo é importante e deve avançar para que garante benefícios para todos”.

Assista ao vídeo do deputado Goura no Porto:

Presidente da Appa

Goura também foi recebido pelo diretor-presidente Luiz Fernando Garcia da Silva para conversar sobre as propostas do mandato para o meio ambiente e da sugestão de convênio obtidas após ele participar, a convite da União Europeia, do Fórum Cidades e Regiões para a Cooperação e Desenvolvimento, em Bruxelas, na Bélgica, no início de fevereiro.

“Falamos da proposta de parceria com o porto de Antuérpia levantada no início de fevereiro, em Bruxelas, quando participamos de evento a convite da União Europeia. A ideia foi tratada lá com os embaixadores do Brasil na Bélgica e junto à União Europeia. Podemos integrar programas de desenvolvimento sustentável da EU e partilhar as experiências daqueles portos nesta área”, disse. Goura também falou sobre a necessidade de implantar uma política de ciclomobilidade no litoral. “O porto pode apoiar”.

O presidente da Appa disse que a proposta de convênio vai ser analisada e que iniciativas como esta são importantes. Ele também reafirmou o compromisso da nova administração com o desenvolvimento sustentável e que o objetivo é se aproximar mais da comunidade litorânea com ações de investimento e mitigação das atividades portuárias.

“Temos a proposta de criar um fundo de compensação para que possamos fazer obras estruturantes não só na área da poligonal da Appa, mas também fora. Mas dependemos de alterações na legislação federal”, explicou Luiz da Silva.

Cultura caiçara

Goura conversou com o mestre Aorelio Domingues da Associação Mandicuera, que é um coletivo que tem como objetivo revitalizar atividades culturais do povo caiçara do Litoral do Paraná. Também foram conhecer o Grupo Mandicuera o diretor de meio ambiente da Appa Jopa Santana e Caroline Willrich, a Carol, chefe da Coordenação Técnica Local de Paranaguá da Funai.

“A cultura é uma das nossas pautas preferenciais. Esta visita ao Grupo Mandicuera reforça o nosso compromisso pela valorização, preservação e desenvolvimento das manifestações culturais dos povos tradicionais do nosso litoral, o que inclui os povos indígenas da região”.

Assista ao vídeo do deputado Goura com Aorelio Domingues:

Dificuldades dos caiçaras

O mestre Aorelio contou que são muitas as dificuldades enfrentadas pelo coletivo e que a luta pela preservação da cultura caiçara enfrenta muitos obstáculos com falta de apoio do autoridades públicas e mesmo dos grandes empreendimentos, como o as do porto e das empresas que fazem parte do complexo portuário.

“As coisas têm melhorado ao longo do tempo, mas ainda há muito o que se fazer para que a cultura caiçara seja reconhecida e valorizada de verdade”, contou. Ele contou que entre as ações positivas existe o apoio de uma grande empresa que vai financiar, como medida compensatória das atividades portuárias, o Grupo Mandicuera para que tenha um novo barracão entre outras iniciativas.

Outro tema foi sobre os impedimentos que os caiçaras enfrentam para poder usar os recursos naturais da Floresta Atlântica sem que sejam criminalizados pelas leis ambientais. “É o caso do uso da caxeta, uma árvore que utilizada para a fabricação de instrumentos musicais e no artesanato caiçaras. Hoje não podemos cortar uma árvore sequer sem que se corra o risco de ter problemas com as autoridades ambientais”, disse Aorelio.

Segundo ele, sem esse acesso à caxeta parte importante da cultura caiçara está ameaçada e pode acabar. “Ninguém é mais interessado em preservar a floresta e a caxeta do que o caiçara. Ele sabe que é preciso preservar, que é preciso fazer o manejo sustentável. Enfim, é a cultura tradicional que sabe como deve ser feito. Além de que nós não cortamos a árvore inteira. O corte é feito para que ela possa rebrotar”, explicou.

Fazem parte da Associação Mandicuera os grupos Pés-de-Ouro, Caiçaras do Paraná, Grêmio Sâo Vicente, Grupo Mandicuera, Grupo da Romaria do Divino, Boi de Mamão, Equipe de Culinária Tipica. A Mandicuera trabalha na elaboração de projetos como a Orquestra Rabecônica Brasileira, a Casa de Farinha, a Fábrica de Instrumentos – Projeto Rabecando. Além do programa Fandango na Escola e de eventos permanentes, Fandango no Mercado, Entrudo de Carnaval, Festa do Fandango, Festa do Divino.

Audiência pública

Goura reafirmou ao mestre Aorelio e a Carol todo apoio do mandato à defesa da cultura dos povos tradicionais do litoral paranaense e dos seus direitos. O deputado disse que recentemente visitou a aldeia Pindoty na Ilha da Cotinga e da reunião com as lideranças indígenas do Paraná no Ministério Público, em Curitiba. “É nosso compromisso defender a cultura tradicional dos caiçaras e dos indígenas”.

“Vamos propor a realização de uma audiência pública sobre os povos tradicionais do litoral para debater as ações para que possamos efetivar os direitos, preservar e promover a cultura destes povos. Também vamos tratar da questão sobre como eles podem usar os recursos naturais de forma sustentável sem desobedecer a legislação ambiental”, anunciou Goura.

 

 

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