O deputado estadual Goura participou, nesta quarta-feira (10), do evento “Mobilidade Urbana e Juventude: Um Olhar Prático” promovido pelo Centro Acadêmico Alexandre Vannucchi do curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Ele dividiu a fala sobre o tema com o professor André Turbay da Escola de Arquitetura e Design da PUCPR.

“Falamos das políticas públicas sobre mobilidade e as suas relações com o planejamento urbano. Também como este ‘fazer as cidades’ é uma questão política. Que depende de decisões políticas daqueles que são escolhidos para administrar as cidades e, por consequência, de todos nós que elegemos estas pessoas”, disse Goura aos estudantes dos cursos de Filosofia, História e Arquitetura presentes.

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Goura contou um pouco da sua trajetória e como transitou do campo da filosofia, área na qual tem graduação e mestrado, para o ativismo e a política. “Sempre lembro do filósofo Protágoras, que colocava o homem no centro do pensamento, ao afirmar que ‘o homem era a medida de todas as coisas’. Esta é a medida para pensarmos as cidades. É a escala humana”, disse.

Para relacionar o filósofo ao tema do evento, Goura lembrou de um dos princípios do urbanismo moderno. “O conceito de cidade para as pessoas se contrapõe ao que se tem feito durante décadas no urbanismo e mobilidade. Foi o automóvel que moldou as cidades e sofremos as consequências”, disse.

Ele lembrou que ao mudar a escala para as pessoas se tem uma nova abordagem no urbanismo. “Um exemplo é a lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que dá prioridade aos meios de transporte não motorizados, a mobilidade ativa, aquela feita a pé e por bicicleta, e ao serviço de transporte público coletivo”, explicou.

Segundo Goura, este é um exemplo de como a política e as escolhas políticas definem como as cidades são feitas. “E muito mais no que diz respeito às cidades e às pessoas são políticas. Mesmo o discurso.” Como exemplo, ele disse que o que se fala de smart city no discurso oficial da prefeitura também reflete isso.

“No caso de Curitiba, não passa de um conceito só relacionado ao ‘business’, ao negócio e não às pessoas. Esta inteligência da cidade não é aplicada, por exemplo, à mobilidade ativa, que aqui só privilegia o carro, com asfaltos e seus binários”, disse Goura. “Outra crítica é a falta de participação dos cidadãos nas decisões, que acontecem ‘pro forma’ sem efetiva participação”.

O professor Turbay concordou com as teses defendidas pelo deputado Goura e reforçou que as decisões sobre as cidades são políticas. “Precisamos romper com certa inocência sobre as cidades. No curso de Arquitetura alertamos aos alunos que todas as decisões urbanísticas são políticas”, disse. Ele disse que são muitos os teóricos da área que dizem que é preciso mudar a escala e planejar as cidades na dimensão das pessoas. “Por isso, tudo no urbanismo é uma decisão política. Quando você privilegia o carro é um exemplo”, concluiu.

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