Os números de mortes no trânsito são estarrecedores. No mundo, no Brasil e no Paraná eles são inaceitáveis. Esta é uma constatação unânime entre autoridades públicas, organizações não-governamentais e sociedade civil.

Os dados sobre violência no trânsito só confirmam esta indignação. Nas ruas e estradas, mundo afora, são registradas 3 mil mortes todos os dias. E o Brasil é quinto país que mais mata no trânsito. Foram 35 mil mortes em 2018. Já no Paraná, foram 2.338 mortes no mesmo ano.

Audiência Maio Amarelo

Neste contexto, foi realizada a audiência pública “Maio Amarelo: formas e meios para a redução dos acidentes de trânsito no Paraná”, nesta quarta-feira (8), na Assembleia Legislativa do Paraná, proposta pelos deputados estaduais Goura e Recalcatti.

“Quem aqui já se envolveu em algum incidente de trânsito? Podem levantar a mão?”, perguntou o deputado Goura, ao falar, no início da audiência pública. Em resposta, a absoluta maioria dos presentes no Plenarinho levantou a mão.

Goura continuou dizendo, “Estamos falando de vidas, de famílias e do impacto disso. Não estamos falando de números frios e estatísticos aqui”, completou. “Quem já perdeu um familiar, um amigo, ou participou ativamente de uma situação de violência no trânsito?”, questionou. Novamente todos levantaram a mão.

Confira as fotos da audiência abaixo:

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Na sequência, o deputado apresentou os números do Programa Vida no Trânsito, que revelam um disgnóstico das mortes no trânsito no Paraná. Segundo os dados, as mortes diminuíram 8% de 2018 para 2017, passaram de 2.547 mortes para 2.338.

Confira a apresentação do deputado Goura:

Morte Zero no Trânsito

“Este é um dado. Mas a gente só vai comemorar quando for zero. Fala-se ,em Inglês, em ‘zero vision’, que em Português é traduzido como ‘morte zero no trânsito’, a visão zero, que significa que ninguém deve morrer no trânsito”, afirmou.

Goura disse este objetivo não pode ser considerado uma utopia. “A gente deve ter utopia. A gente deve ter sonhos. Temos que ter ideais a serem alcançados. Senão, a gente vai desistir da vida em sociedade. E a sociedade exige um horizonte aonde se quer chegar. O de que ninguém morra no trânsito”.

Ao comentar os números, ele reafirmou sua indignação. “É muita coisa. Pensar no impacto disso nas famílias, na economia, não é pouca coisa. E não estamos das pessoas que ficam com sequelas, que morrem depois, nos hospitais. Estes são só os dados das pessoas que morrem no local”, disse.

47% de aumento na morte de ciclistas

O deputado chamou a atenção para o aumento de ciclistas mortos de 2017 para 2018. “Um aumento de 47%. Um absurdo. Fomos de 98 para 144 mortos em um ano. É preciso políticas públicas para mudar este quadro. É preciso intervir”, declarou.

Goura também falou sobre as iniciativas que o seu mandato tem na área desde que foi eleito vereador e mesmo antes como ativista da bicicleta. “A proposta do RMC-Bici de integrar e criar infraestrutura cicloviária na região metropolitana, o Estatuto do Pedestre, o projeto de ciclovias nas rodovias nas áreas urbanas e a lei do cicloturismo são exemplos”.

Década de redução de mortes

O deputado Recalcatti lembrou que estamos na década de redução nas mortes do trânsito proposta pela ONU e que vai até 2020 e tem como objetivo a redução em 50% nos índices de morte no trânsito no mundo. “Devemos buscar soluções legislativas conjuntas na construção de um trânsito melhor e menos violento”, disse.

Atendimentos de emergência

O diretor geral do Hospital Universitário Cajuru, Juliano Gasparoto, mostrou os números de atendimentos das vítimas dos acidentes de trânsito e revelou uma situação dramática. “Os atendimentos de emergência são 16%do total. 60% deles são com motos, 7% bicicletas, 11% atropelamentos e 20% automóveis”, informou.

Ele explicou que as principais causas são a falta de atenção (28%); velocidade incompatível (18%) e a ingestão de álcool (5%). “Sem conscientização e educação não vamos reverter esta situação. Mesmo que a infraestrutura de atendimento melhore continuaremos a ter índices de mortes muito altos”.

Para o superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Daniel Costa, o trânsito brasileiro é uma tragédia. “Mais de 35 mil mortes por ano é uma situação insustentável e que precisa ser enfrentada com políticas públicas. Precisamos agir para reduzir estes índices”, afirmou. “Esta realidade brasileira não pode ser considerada natural”.

Confira a apresentação de Juliano Gasparoto:

Programa Vida no Trânsito

A coordenadora estadual do programa vida no trânsito, Tânia Trindade Mascarenhas, da Secretaria de Estadual de Saúde, explicou como as análises de dados feitas pelo Programa Vida no Trânsito (PVT), são fundamentais para a execução do Plano de Segurança Viária no Paraná.

“O programa foi criado, em 2010, a partir de um consócio um consórcio de parceiros para realizar atividades voltadas para a melhoria da segurança no trânsito em 10 países”, informou. “No Brasil são só 50 municípios, doze dos quais no Paraná, que é o estado na vanguarda do PVT e o que tem um trabalho de referência”, explicou. Ela disse que é preciso mudar a mentalidade sobre as cidades. “Elas devem ser pensadas para as pessoas e não para os carros com acontece”.

Confira a apresentação de Tânia Trindade Mascarenhas:

Fernando Rosembaum, coordenador-geral do Ciclo Iguaçu, comentou várias situação em que a falta de ações públicas, de engenharia ou de educação e fiscalização, permitem situações de violência no trânsito em Curitiba. “Nossa ação como entidade procura colaborar com o poder público. Mas muitas vezes são resistentes. O IPPUC, por exemplo, não nos ouve”, criticou.

Ele mostrou uma séria de situações que colocam ciclistas e pedestres em situação de risco e apresentou as sugestões que a entidade faz para tentar solucionar os problemas. Rosembaum também apresentou o caso da morte do ciclista Chrystian Pinheiro Deina, que foi atropelado no final do ano passado. “Um exemplo dramático. Fizemos a análise que comprova os problemas que denunciamos”, disse.

Confira abaixo o depoimento do pai de Chrystian Pinheiro Deina:

Confira a íntegra da audiência pública:

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