Publicado há 6 meses

O deputado estadual Goura (PDT) criticou, neste 31 de março, os 57 anos da instauração, por meio de um golpe de estado, a ditadura civil-militar, que durou até 1985. “A data de hoje – o 31 de março – não pode ser uma celebração. É uma data que deve ser renegada ao que ela verdadeiramente representa. O advento de um dos períodos históricos mais sombrios e violentos vividos pela sociedade brasileira. É uma data para ser repudiada, mas não exaltada, como querem alguns,” destacou.

 

Para o deputado a memória dos horrores da ditadura civil-militar não pode ser apagada e é muito importante que a sociedade saiba o que realmente aconteceu nesses 21 anos. “É preciso resgatar a verdade para que os erros não se repitam. Para que a nossa democracia seja valorizada e preservada. A ditadura prendeu, torturou e matou. Foram crimes de Estado que violaram os Diretos Humanos no Brasil”, lembrou Goura.

Assista ao vídeo com a íntegra do discurso contra a ditadura civil-militar abaixo:

 

Ele apresentou dados da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que foi criada em 2011 para investigar o período de 1964 a 1985. “A comissão investigou e estabeleceu o número de 434 vítimas do regime ditatorial brasileiro, sendo que 191 destes foram dados como mortos e 210 como desaparecidos. Estima-se ainda que 1.196 camponeses e 8.300 índios teriam sido vítimas da cruel e assassina ditadura brasileira”, informou. “O relatório final ainda aponta que é urgente a continuação da investigação dos crimes da ditadura.”

 

A ditadura no Paraná

Goura explicou que no Paraná a investigação foi feita pela Comissão Estadual da Verdade do Paraná – Teresa Urban, criada em 2012 e instituída pela Lei Estadual nº 17.362, que foi sancionada pelo então governador Beto Richa. Segundo ele, o relatório da comissão estadual revelou graves violações de direitos humanos contra indígenas, quilombolas, mulheres, camponeses, intelectuais, militantes e de agentes públicos.

 

“São mais de 800 páginas, que compilam o material produzido a partir de 150 depoimentos e 73 audiências públicas realizadas em várias regiões do Paraná. Segundo a comissão, é importante desconstruir a ideia de que a ditadura transcorreu ‘tranquilamente’ no Paraná. “Apesar de não ter sido consolidado um número final de mortos e desaparecidos no Paraná, os coordenadores da comissão afirmam que foram “centenas as vítimas.

 

Foram mais de 4 mil prisões e cerca de mil pessoas torturadas em nosso estado. Houve repressão, perseguição e um genocídio no Paraná, o dos índios Xetás”, denunciou Goura. O deputado lembrou que, durante a ditadura civil-militar, cerca de 44 mil paranaenses foram investigados de perto por agentes da repressão do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) segundo levantamento da Comissão da Verdade.

 

Momento político grave

O deputado chamou a atenção para a gravidade do momento político atual vivido no Brasil e no Paraná. “Temos que desconstruir a ideia positiva que se tem da ditadura. Temos que dizer não à apologia da ditadura civil-militar e ao golpe de estado de 1964. Por isso, não é coincidência que, neste momento de saudosismo da ditadura civil-militar, se promovam atos e discursos pautados na violência e no militarismo.

 

Goura lembrou que o próprio novo ministro da Defesa, o general da reserva Walter Braga Netto, confessou o conluio que levou à ditadura no Brasil, na Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964, publicada nesta terça (30), no site do Ministério da Defesa. “O ministro confessa que foi ‘com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das Forças Armadas, resultando no chamado movimento de 31 de março de 1964.

 

A ditadura não vai se repetir

“Nós não vamos permitir, a qualquer pretexto, que se atente contra a democracia no Brasil. E sabemos que as Forças Armadas não compactuam com as ameaças golpistas e os ataques à democracia promovidas pelo presidente Bolsonaro”, disse Goura. Ele destacou que o recado foi dado nesta terça-feira, dia 30, quando os comandantes das Forças Armadas pediram demissão em protesto contra Bolsonaro.

 

“Foi uma atitude inédita vista ela primeira vez na história brasileira. Os três comandantes das Forças Armadas pediram renúncia conjunta por discordar do presidente da República. E todos reafirmaram que os militares não participarão de nenhuma aventura golpista. Ficamos tranquilos com os militares respeitando a Constituição e agindo conforme a lei, na defesa da democracia e da legalidade”, destacou Goura.