Discutir políticas cicloviárias, ações e projetos que possam trazer mais segurança para os ciclistas no Paraná. Este foi o objetivo de uma reunião realizada entre o deputado estadual Goura (PDT) e o diretor de operação do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e presidente do Conselho Paranaense de Ciclomobilidade (Conciclo), Adriano Marcos Furtado.

 

A reunião foi realizada na semana passara e contou também com a participação do vice-presidente do Conciclo, Marcel Cabral Costa, do coordenador da Escola Pública de Trânsito, Michael Chrystian Bogo e do assessor jurídico do Mandato Goura, Marcel Jeronymo.

 

Goura, que foi o autor da proposta de submeter a coordenação do Conciclo ao Detran, ressaltou a importância do conselho no processo de elaboração de políticas públicas cicloviárias.

 

Base e registro de dados

 

Um dos temas tratados foi a necessidade de adequação do sistema BATEU (Boletim de Acidentes de Trânsito Eletrônico Unificado) para contemplar ciclistas que tenham sofrido colisões com veículos automotores em vias urbanas do estado do Paraná, com danos materiais e sem vítimas, nos mesmos moldes do que já existe atualmente para acidentes envolvendo automóveis.

 

O Detran informou que o sistema BATEU já contempla outros modais como bicicletas e patinetes. Para acessá-lo, é necessário fazer um cadastro na Paraná Inteligência Artificial (PIA).

 

Outra solicitação foi no sentido de atualizar e melhorar o projeto Minha Bike, lançado em 2011 e que tem entre seus objetivos facilitar a localização e resolução de casos de furtos de bicicletas.

 

“A nossa sugestão é o desenvolvimento de uma plataforma com todos os serviços que o ciclista precisa, com um cadastro, pesquisa do perfil, cadastro da bicicleta, possibilidade de transferência e comunicação de venda, comunicação de furto da bicicleta e integração com a Secretaria de Segurança Pública”, explicou o deputado.

 

O Detran informou que já existe um protótipo de aplicativo que está em fase final de desenvolvimento com esta funcionalidade.

 

Cicloturismo

 

Goura falou da necessidade de conectar pequenos municípios através de ciclorrotas e sugeriu uma articulação junto ao Departamento de Estradas e Rodagens (DER) para que os municípios possam utilizar as laterais das rodovias.

 

O apoio para sinalização adequada, a expansão das ciclorrotas, a exemplo das rotas das nascentes e da rota caiçara, e o desenvolvimento de Parcerias Público Privadas (PPPs) para criação de novas rotas e circuitos cicloturísticos também foram apontadas como ações importantes a serem desenvolvidas.

 

Nesse sentido, foi informado que o Detran já trabalha com um Diagnóstico Paranaense de Ciclomobilidade, em parceria com a Universidade Federal do Paraná.

 

“Já estamos desenvolvendo esse trabalho em 15 cidades e o objetivo da gestão é chegar em 80% dos municípios”, informou Adriano Furtado ao observar que a proposta é, ao fim do diagnóstico, construir um Marco Legal de Ciclomobilidade no Estado do Paraná.

 

Outra novidade informada pelo diretor do Detran, é que em breve deverá ser lançado um Manual de Sinalização para o Estado e Municípios. O objetivo é padronizar as placas para cicloturismo e ciclomobilidade em geral.

 

 

Contadores de ciclistas

 

Outra sugestão apresentada pelo Mandato Goura foi o monitoramento permanente ou pontual do fluxo de ciclistas. “A partir desses dados, que podem ser obtidos com auxílio de inteligência artificial, é possível planejar novas rotas, ampliação de vias e avaliar resultados de ações”, ponderou Goura.

 

Adriano Furtado avaliou a proposta como necessária e se comprometeu agendar uma segunda reunião para tratar do assunto.

 

Treinamento e campanhas de conscientização

 

O treinamento de motoristas para a promoção de uma integração com a bicicleta também foi tema abordado na região. Goura sugeriu que o Detran faça uma simulação com motoristas do transporte público e de caminhões onde eles sejam colocados na situação dos ciclistas para sentir na pele as dificuldades que os ciclistas enfrentam no trânsito.

 

Sobre esse assunto, Marcel Cabral citou que o Detran, juntamente com o Conciclo, já iniciou esse treinamento com motoristas do transporte coletivo de Curitiba. “Cerca de 20% dos motoristas já foram abordados”, ressaltou.

 

Além deste treinamento, Goura sugeriu reforçar as campanhas preventivas contra a prática dos chamados rachas, que, entre outros acidentes, em março de 2020 causou a morte da estudante Caroline Beatriz Olímpio, de 19 anos, na Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, em Curitiba.

 

Destinação de bicicletas apreendidas

 

Goura reforçou o pedido, já previsto em decreto, para que o Detran faça a destinação de bicicletas apreendidas para programas sociais. “As delegacias da Polícia Civil estão com grandes volumes acumulados, sendo que boa parte delas estão em processo de deterioração”, afirmou.

 

O diretor do Detran avaliou que este é um problema que precisa ser resolvido e se comprometeu a buscar soluções para a reutilização dessas bicicletas.

 

Contratos de pedágio

 

Sobre o novo modelo de concessão as rodovias no Paraná, Goura afirmou que esta é uma pauta recorrente e que merece toda a atenção do Detran para que sejam garantidas estrutura cicloviária nos trechos urbanos das rodovias.

 

“Precisamos que nos novos trechos de pedágios as ciclovias sejam contempladas. Não estamos falando de ciclovias ao longo das rodovias, mas sim nos trechos urbanos”, afirmou Goura ao observar que será encaminhado um requerimento à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), já acordado com o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Hussein Bakri, para que o novo modelo do contrato preveja ações efetivas para segurança dos ciclistas.

 

Morte Zero no trânsito

 

Por fim, o deputado Goura falou sobre a importância de estimular e divulgar boas práticas de planejamento e segurança no trânsito para que seja alcançada a meta de morte zero no trânsito.

 

Nesse sentido, Adriano Furtado ressaltou que o Paraná aderiu no dia 20 de setembro ao Plano Nacional de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), instituído pela Lei nº 13.614, de 11 de janeiro de 2018.

 

A meta do Pnatrans é salvar cerca de 86 mil vidas com base em seis pilares: Gestão da Segurança no Trânsito; Vias Seguras; Segurança Veicular; Educação para o Trânsito; Atendimento às Vítimas; e Normatização e Fiscalização.