Publicado há 7 meses

“O cenário que temos hoje para o pós-Covid-19 é emergencial, urgente e catastrófico”, disse o deputado estadual Goura (PDT) ao participar, nesta quinta-feira (25), da primeira etapa do Davos LAB Brasil promovida pela Comunidade Global Shapers, uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial.

Assista ao vídeo da íntegra do evento abaixo:

O tema do debate foi “Redefinindo o Clima: Acelerando uma Retomada Verde e Justa no Brasil pós-COVID-19” e contou com a participação Gisele Medeiros (IPPUC), Valério Mendes Marochi (FIEP) e Elenise (SPVS), com a mediação de Caiê Alonso, membro da Comunidade Global Shapers Curitiba.

 

Não é pessimismo

 

“Essa situação, para não ser pessimista, só será diferente se as políticas públicas desenvolvidas em Curitiba forem integradas com os municípios da Região Metropolitana. Sem isso, nenhuma política pública vai funcionar. Nem para enfrentar a Covid-19 agora, no pico da pandemia, como estamos vendo. E nem depois, quando a pandemia estiver contralada, no pós-Covid-19”, afirmou Goura.

 

Para o deputado, a iniciativa da Comunidade Global Shapers Curitiba é relevante por colocar em debate os cenários futuros possíveis e apresentar sugestões sobre o que pode ser feito. “O diagnóstico sobre o combate à pandemia nós temos. E o resultado está aí, UTIs litadas e milhares de mortes que poderiam ser evitadas.”

 

“Precisamos sair da palavra e ir para ação”

 

“Precisamos, em Curitiba e Região Metropolitana, de uma governança metropolitana. Não se pode repetir a má gestão que vemos, por exemplo, no caso da crise hídrica que nos afeta nos últimos dois anos”, disse Goura. “Faltou e falta esta visão mais ampla, holística. Então, para o pós-Covid-19, temos que garantir essa integração de políticas públicas e ações para toda a Região Metropolitana de Curitiba”.

 

O mediador do debate, Caiê Alonso, questionou os participantes do painel. “Como os jovens podem trabalhar ao lado do poder público, empresas, terceiro setor e demais organizações para ajudar as cidades e instituições a promoverem investimentos sustentáveis e impulsionarem ações climáticas urgentes?”

 

Segundo ele, a pandemia escancarou problemas estruturais e revelou as múltiplas crises e seus profundos efeitos sociais, econômicos e ambientais. “Mas essa situação também cria um momento propício para pensarmos em reconstruir o mundo de uma maneira de fato diferente, aliando inovação, sustentabilidade e justiça social”, disse Alonso. “Esse é o objetivo desse evento.”

PlanClima de Curitiba

 

Gisele Medeiros, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) apresentou as diretrizes gerais do Plano de Ação Climática de Curitiba (PlanClima), da qual ela foi a coordenadora do grupo de trabalho para sua elaboração.

 

Segundo ela, o PlanClima consolida o compromisso de Curitiba com o enfrentamento às mudanças climáticas, com a melhoria da qualidade urbana e ambiental da cidade e com a qualidade de vida de seus habitantes. “O objetivo é tornar a cidade neutra em carbono, adaptada às mudanças climáticas e resiliente até 2050”, explicou.

Confira, clicando na foto abaixo, o PlanClima de Curitiba:

 

O deputado Goura aproveitou para elogiar o PlanClima. “O plano é fantástico. Agora tem que colocar em prática e com celeridade”, pontuou. Ele disse que para isso é preciso ter vontade política e apresentou outros temas que também contribuem para inserir ativamente Curitiba e Região Metropolita no projeto Grande Reserva da Mata Atlântica.

“Também podemos ser uma zona livre de agrotóxicos como propõe o nosso projeto que tramita na Assembleia Legislativa, sermos uma cidade Lixo Zero, além de incorporar outras propostas de sustentabilidade para o transporte público e a mobilidade ativa”, esclareceu.

 

Defasagem tecnológica

 

O especialista em Engenharia de Veículos Híbridos e Elétricos (Faculdade da Indústria); Tecnólogo em Mecatrônica Industrial (UTFPR) e coordenador técnico do Centro de Mobilidade Sustentável e Inteligente do Senai-PR, Valerio Marochi, disse que o Brasil tem dois grandes problemas para enfrentar no pós-Covid-19, a defasagem tecnológica e a diminuição da competitividade em relação ao mundo.

 

“Temos que reestruturar a forma como produzimos quase tudo no Brasil. Precisamos caminhar para uma sociedade 5.0 no que diz respeito ao uso das novas tecnologias. E essas propostas de transformação têm que estar interligadas”, afirmou Marochi. “Também, na minha área, temos que focar no transporte público e mobilidade ativa para promover essas mudanças.”

 

A colaboradora da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Elenise Sipinski, disse que é preciso fazer um grande trabalho de restauração natural para enfrentar o pós-Covid-19. “O aquecimento global está diretamente relacionado com o desmatamento, com a destruição do meio ambiente.”

 

Segundo ela, é necessário implantar uma economia restaurativa para que os ambientes nas cidades sejam mais saudáveis e se tenha maior qualidade de vida. “O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) é uma ferramenta imprescindível para isso. Outras políticas como o desmatamento zero também devem ser metas”, explicou.