Procon-PR vai investigar casos de venda de produtos hortigranjeiros sem certificação de que são orgânicos

Após receber denúncias de comerciantes e produtores de hortigranjeiros orgânicos de que os consumidores estão sendo vítimas de vendedores que comercializam produtos não certificados em grupos de WhatsApp e páginas nas redes sociais, o deputado Goura (PDT) intermediou, nesta terça-feira (22), reunião com a chefe do Procon-PR, Claudia Silvano, para encaminhar pedidos de fiscalização e investigação.

 

“Por se tratar de uma denúncia que afeta os consumidores de orgânicos de Curitiba marcamos essa reunião no Procon-PR com representantes dos comerciantes desses produtos. O resultado foi bem positivo e a chefe do Procon-PR, Claudia Silvano, disse que serão tomadas providências para fiscalizar e investigar”, comentou Goura, que preside a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa.

 

Gato por lebre

 

“Vamos investigar esta denúncia que pode configurar não só propaganda enganosa, mas também fraude, e que lesa os consumidores de orgânicos, que acabam comprando produtos que não são o que dizem ser. No popular, está comprando gato por lebre”, disse Claudia Silvano. “Queremos que os comerciantes e produtores nos encaminhem as denúncias para nos ajudar nas investigações.”

 

Segundo as denúncias, existem “sacoleiros” que atuam em grupos de WhatsApp e em páginas nas redes sociais que oferecem “cestas” de produtos orgânicos que não têm certificação, o que é obrigatório por lei para que sejam considerados produtos orgânicos e possam ser comercializados, e com preços muito abaixo dos praticados no mercado de orgânicos.

 

 

Sem certificação

 

“Com a pandemia a venda de produtos orgânicos pela internet cresceu, mas também criou esse problema dos ‘sacoleiros’ que vendem produtos orgânicos não certificados e sem confirmação de procedência”, reclamou Gustavo Milak, um dos sócios da Casa do Verdureiro e produtor de orgânicos.

 

Segundo ele, a desconfiança sobre esses grupos surgiu depois de conferir os preços dos produtores e tentar que o vendedor apresentasse a certificação de que eram orgânicos. “O primeiro indício de que não são orgânicos o que eles oferecem são os preços. É impossível que vendam um orgânico com preço menor do que o produtor vende para nós”, explicou.

 

Milak deu como exemplo o caso da alface americana orgânica. “Como pode ser vendida nestes grupos ou páginas a R$ 2,50 se nós produtores e comerciantes não conseguimos oferecer por menos de R$ 3,50?”, questionou.

 

“E não é só isso. A produção e a comercialização de orgânicos é bem sazonal. Então em certas épocas não se encontram determinados produtos orgânicos, mas eles oferecem nas listas. Não tem como e a explicação é: não são produtos orgânicos”, alertou Milak.

 

Também participaram da reunião Hans Rimklim da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (AOPA), que reúne mais de 600 produtores de orgânicos; Marcelo Carreiro, da BIoÉ – Orgânicos e Danilo Fantinato, sócio da Casa do Verdureiro.

 

Serviço:

 

Se você desconfia ou sabe de listas ou páginas em redes sociais de produtos que não têm certificação de orgânicos envie um e-mail para a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa: cempaalep@gmail.com.