“Água que limpa! Água que cura!” Foi por este caminho não convencional, que transcendeu a simples conversa objetiva e técnica, que o deputado estadual Goura (PDT) se referiu à água, tema da live realizada, nesta segunda-feira (22), para celebrar o Dia Mundial da Água, instituído pela ONU.

A proposta da conversa, transmitida pelas redes sociais do deputado, foi reunir pessoas com visões diversas sobre a água e suas implicações para a vida humana e do planeta. Como destacou Maurício Savi, um dos participantes, o debate abordou a água de forma democrática, científica, espiritual, cultural e conceitual.

Várias percepções da água
“Não existe só uma forma de percepção sobre a água. Não é só um recurso a ser explorado. Não está restrita só a sua composição química, ao seu status na bolsa de valores e assim por diante. A água também tem sua dimensão cultural e espiritual”, afirmou Goura.

Confira a íntegra da live do Dia Mundial da Água:

Savi, que é biólogo especialista em manejo da vida silvestre e áreas protegidas, e falou sobre “Montanhas, água e cidades”, disse que é preciso ver que a água está em constante mudança, em transformação. “Água é o ciclo da vida e tem mais do que uma só essência. E também está dentro de todos nós”.

Contaminações por agrotóxicos
Ao abordar o tema da sua fala, “Contaminações das águas por agrotóxicos e violações de direitos humanos e ambientais, a advogada popular na Terra de Direitos e integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Naiara Bittencourt, também destacou essas outras dimensões da água.

“Todos são contaminados e impactados pelos agrotóxicos. A natureza e nós. Os agrotóxicos estão na água que consumimos”, alertou Naiara, citando na sua fala os dados da reportagem produzida pelo Repórter Brasil, Public Eye e a Agência Pública: “Coquetel com 27 agrotóxicos foi achado na água de 1 em cada 4 municípios”, no período de 2014 a 2017, divulgada em 15 de abril de 2019. A iniciativa faz parte do projeto “Por Trás do Alimento”.

Colombo não lembra o Dia da Água
O criador da Ecobarreira e educador ambiental, Diego Saldanha, não escondeu sua indignação por perceber, que até as 19 horas do dia 22, nenhuma autoridade política de Colombo, município onde mora e atua junto ao Rio Atuba, tinha se manifestado sobre o Dia Mundial da Água. “A situação dos nossos rios é desesperadora e ninguém fala nada? É um absurdo!”, disse Saldanha.

Ele lembrou que em 5 anos de ação da Ecobarreira foram recolhidas mais 10 toneladas de resíduos no trecho do Rio Atuba localizado nos fundos do terreno da casa onde mora. “E pensar que os meus vizinhos, não faz muito tempo, nem sabiam o nome do rio que corta o bairro onde vivem. As pessoas têm que lembrar que elas também são o rio”, afirmou.

Década do Oceano
Década do Oceano, um único oceano que unifica a todos” foi o tema da bióloga e coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Camila Domit. Para ela, é preciso ver os oceanos como um único corpo de água salgada apesar de serem divididos em três: Pacífico, Atlântico e Índico.

“Os oceanos conectam todos os continentes e afetam toda a vida do planeta. E temos que pensar na responsabilidade que todos têm na sua preservação. Porque os oceanos estão contaminados e essa contaminação começa nos bueiros das cidades”, alertou Camila.

O que fazer diante dos desafios?
O deputado Goura propôs aos participantes da live que apresentassem sugestões para serem levadas ao governador Ratinho Jr. para que a gestão da água e o enfrentamento à poluição e crise hídrica sejam mais eficientes. “O que precisamos fazer para ter água de qualidade no Paraná?”, perguntou Goura.

Década da Restauração
O biólogo Savi disse que um bom caminho seria seguir o que preconiza a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, que tem como principal objetivo aumentar os esforços para restaurar ecossistemas degradados, criando medidas eficientes para combater a crise climática, alimentar, hídrica e da perda de biodiversidade, já seria um começo.

“O governador tem que trabalhar de maneira adequada às nossas áreas de preservação. Promover essa restauração de verdade”, comentou. Em outro momento ele falou da criação de um fundo metropolitano para promover essa política de restauração na Região Metropolitana de Curitiba e Litoral. “As multas ambientais, como a gigantesca da Sanepar, poderiam compor este fundo”, sugeriu.

Livre de Agrotóxicos
A advogada Naiara sugeriu que o governador implante políticas públicas que testem mais os agrotóxicos nas águas e alimentos no Paraná; que os dados dessas análises sejam mais acessíveis para que todos possam fiscalizar.

“Também acho importante aprovar na Assembleia e que o governador sancione a lei do deputado Goura que propõe Curitiba e Região Metropolitana Zona Livre de Agrotóxicos. A sociedade tem que ter controle sobre o uso dos agrotóxicos”, disse Naiara.

Mais Ecobarreiras
Diego foi bem objetivo e disse que gostaria de ver o governador apoiando a iniciativa das ecobarreiras. “Estou tentando que isso aconteça desde o início do projeto. Já procurei apoio no governo e até agora nada aconteceu. E isso que o deputado Goura nos apoia e ajuda na nossa luta. A Sanepar, por exemplo, poderia ter uma política de instalação e gestão de ecobarreiras”, sugeriu.

Cumprir o Art. 225 da Constituição
Camila disse que se o governador se pautasse em fazer valer o que diz o Art. 225 da Constituição Federal – Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações – seria importante.

“Também acho que o governo deveria investir em campanhas educativas para conscientizar sobre as relações entre cidade e oceano; valorizar a ciência e ter na ciência a base para a tomada de decisões; se orientar também pelas diretrizes da Década dos Oceanos da ONU”, sugeriu.

Ela lembrou também que é preciso avançar no saneamento básico do Litoral do Paraná. “O sistema de saneamento é deficiente no litoral. Não há destinação correta dos resíduos nos municípios, que só têm lixões. Também é preciso fiscalizar e monitorar os contaminantes”, disse Camila.

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