“Avistamento da harpia no Paraná é um bom sinal para o meio ambiente”, diz Goura

O avistamento raro de uma harpia (Harpia harpija), que é uma espécie de águia também conhecida como gavião-real, gavião-de-penacho, uiruuetê ou uiraçu-verdadeiro, é uma boa notícia nestes tempos de pandemia e deixa um pouco mais otimistas todos aqueles que se preocupam com a preservação e recuperação do meio ambiente.

“Encontrar esta harpia, este gavião-real, é um sinal positivo e um indicador de que o meio ambiente pode se recuperar se for protegido. Também reforça que quanto mais investirmos em preservação das áreas de conservação e na sua ampliação”, comentou o deputado Goura, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná.

Símbolo do Paraná

Goura lembrou que o gavião-real está no brasão do Estado do Paraná. “É a ave símbolo do nosso estado e antes da destruição das nossas florestas era muito comum encontrá-la em diversas regiões do estado”, contou. O brasão é um emblema heráldico e juntamente com a bandeira, o hino e o sinete, é um dos quatro símbolos oficiais do Estado do Paraná.

Sugestão ao governo

O deputado disse que por causa deste avistamento enviou expediente à Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo (Sedest). “Sugerimos ao secretário que sejam adotadas medidas de recuperação da espécie e o desenvolvimento de política para a sua reintrodução na natureza. E isso passa por política de preservação e recuperação ambiental”, disse.

Ele lembrou que este encontro com o gavião-real, além de ser muito raro, é  um alerta sobre a situação da espécie no estado. “O Paraná faz parte da área de ocorrência natural dessa ave, no entanto, por aqui só conseguimos ver a espécie em cativeiro, no Refúgio Biológico da Itaipu e no Parque das Aves, ambos em Foz do Iguaçu.”

Goura disse que a Sedest, por meio do IAT (Instituto Água e Terra), – que é o atual órgão responsável e resultante da fusão do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto das Águas do Paraná (IA) e do Instituto de Terras , Cartografia e Geologia (ITCG) – já demonstrou que tomará providências para desenvolver um programa para a preservação da espécie.

“O IAT anunciou que vai montar um plano de ação para monitorar a área do registro para estabelecer um plano territorial de conservação da espécie. Isto demonstra que o órgão deu a devida importância ao fato e esperamos que tudo seja efetivado da melhor maneira para voltarmos a ver mais espécimes do gavião-real nas nossas florestas”, disse.

Expedição do IAT

A primeira expedição do IAT foi para a região do avistamento neste fim de semana, dias 18 e 19. A bióloga Paula Vidolin, doutora em Conservação da Natureza e chefe do setor de Fauna do IAT, disse que o objetivo principal da expedição, além de tentar novos registros da harpia, é conversar com a comunidade local para orientar sobre a importância do achado, a preservação da espécie e como todos podem contribuir.

Veja abaixo o relato de um dos pareticipantes da expedição do IAT:

Pedido de colaboração

Os técnicos do IAT pedem que qualquer pessoa que aviste a harpia entre em contato por meio do Projeto Detetives da Natureza, de preferência, com registro de imagens na Plataforma iNatyuralista no link aqui. Outro meio de acesso é o e-mail iapfauna@iat.pr.gov.br.

Avistamento raro

Foi o observador e fotógrafo de aves Francisco Hamada que avistou o espécime no dia 11 de abril, no município de Coronel Domingos Soares, na Região Centro-Sul Paranaense, nas proximidades da margem do Rio Iguaçu durante um passeio em companhia do filho. Confira o registro da Hamada no site WikiAves clicando aqui.

Maior ave de rapina

A harpia é a mais pesada e uma das maiores aves de rapina do mundo, com envergadura de 2,5 metros e peso de até 12 quilos e está ameaçada de extinção. O habitat principal são as florestas tropicais e a espécie se dispersa geograficamente da Argentina ao México. Hoje, pode ser encontrado na Amazônia e visto raramente na Mata Atlântica.

Clique na imagem e acesso o site Aves de Rapina Brasil:

Distribuição Geográfica da harpia.

Áreas de conservação

Rara na Região Sul, está em extinção porque o seu habitat foi praticamente todo destruído. “Por isso, reforço que proteger e garantir as áreas de conservação são fundamentais. Os avistamentos quase sempre ocorrem nas proximidades dessas áreas de preservação”, afirmou Goura. Atualmente, o remanescente da Mata Atlântica no Paraná é de 6% e todos os dias continua sendo agredida e ameaçada pelo desmatamento.”

A região do avistamento tem algumas áreas de conservação e faz parte da mata do entorno da calha do Rio Iguaçu. A proximidade do Parque nacional do Iguaçu dá esperança a ornitólogos e outros pesquisadores que sejam encontrados outros indivíduos da espécie, pois há a probabilidade que a harpia avistada possa ser parte de um casal e ter feito ninho.

Em verde escuro, remanescentes florestais. No contorno rosa, Parque Nacional do Iguaçu. Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica 2011-2012

Nos últimos anos, num período de pouco mais de 10 anos, alguns outros registros da harpia foram feitos no Rio Grande do Sul, próximo ao Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas. Na Região Sudeste, um gavião-de-penacho foi visto na proximidade da Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama, no Norte do Espírito Santo.     

Saiba mais

Saiba mais no site do Programa de Conservação do Gavião-real (PCGR) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) clicando aqui.

Mais sobre o gavião-real nesta reportagem da revista National Geographic clicando aqui.

Veja na galeria abaixo as fotos desta reportagem do site Hypenes.

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