O deputado Goura (PDT) visitou a primeira comunidade quilombola urbana de Foz do Iguaçu, o Quilombo Horta do Seu Zé e da Dona Laíde, na Vila C, e manifestou apoio à comunidade quilombola diante da ameaça de reintegração de posse da área ocupada pela família na bacia do Córrego Brasília. A visita aconteceu na sexta-feira (28/11), em Foz do Iguaçu.
Goura lembrou que a comunidade obteve reconhecimento como primeiro quilombo urbano de Foz do Iguaçu em novembro de 2024 em processo de certificação pela Fundação Cultural Palmares.
“Apesar disso, o território segue ameaçado pela especulação imobiliária e outros interesses, incluindo um pedido de reintegração de posse pela Prefeitura de Foz”, destacou o deputado.
E lembrou que a situação é muito grave. “Pois além do direito histórico a essas terras, a comunidade faz um importante trabalho de preservação ambiental, com reflorestamento e recuperação de nascentes, em especial do Córrego Brasília.”
“A gente vai lutar juntos. Pela memória e pelo futuro dos povos quilombolas em Foz!”
Menção honrosa
A visita foi também para entregar em mãos uma Menção Honrosa à comunidade, composta por remanescentes do Quilombo Apepu que há 35 anos produzem alimentos orgânicos enquanto zelam pela sua cultura, tradição e sabedoria ancestral.
“A Menção Honrosa é um reconhecimento institucional da luta do Quilombo Horta do Seu Zé e da Dona Laíde e da importância do que a comunidade faz todos os dias: cuidar da terra, preservar as nascentes, produzir alimento saudável e manter viva a memória e a cultura quilombola em Foz do Iguaçu”, disse Goura.
Agradecimento
A gente recebe com muita alegria esta Menção Honrosa da Assembleia Legislativa, um documento que reconhece o Quilombo da Horta do Seu Zé e da Dona Laíde. É o reconhecimento de uma luta. E isso fortalece muito”, disse Maria Serrate dos Santos, 55, filha dos fundadores José João e Laíde Rufino dos Santos.
Ela alertou para a importância de se preservar a natureza como é feito no quilombo.
“Precisamos cuidar do que temos enquanto temos. Em Curitiba, por exemplo, a gente vê pessoas passando até dois dias sem água na torneira. Isso mostra por que é tão importante cuidar das nascentes hoje, proteger agora, para não faltar amanhã ou depois”, disse Maria, que compartilha a rotina diária com a mãe, Dona Laíde, 80, que ainda coordena as tarefas da horta.
Resistência
“Quem vive aqui trabalha todo dia, no quilombo urbano, cuidando da nascente, produzindo alimento saudável. Eu sempre digo que a gente é teimoso. Resistir cansa. Tem momentos em que dá vontade de desistir. Mas, ao mesmo tempo, a gente entende que é isso que dá sentido à nossa vida”, disse Maria.
Reconhecimento
A Defensoria Pública do Estado do Paraná comprovou que as pessoas do Quilombo Horta do Seu Zé e da Dona Laíde são remanescentes do Quilombo Apepu, situado em São Miguel do Iguaçu.
A área ocupada na década de 1990 existe há 35 anos e é moradia da família Santos, que mantém vivas, através de gerações, as tradições culturais e simbólicas adquiridas no Apepu.
O Quilombo Horta do Seu Zé e da Dona Laíde é reconhecido como a primeira comunidade quilombola urbana de Foz do Iguaçu, com certificação concedida pela Fundação Cultural Palmares em novembro de 2024, marco oficial que reconhece a identidade, a trajetória histórica e a legitimidade do território ocupado há mais de três décadas pela família e pela comunidade.
População quilombola do Paraná tem 7.113 pessoas, segundo o censo.


