É possível viver sem plástico? Conheça o desafio #julhosemplastico

Entre as reflexões que o isolamento social nos provoca, uma delas é sobre a quantidade de lixo descartável que produzimos. Para se ter uma ideia do que estamos falando, lembremos que, de acordo com dados do Banco Mundial, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores poluidores do mundo.

E tão grave quanto esse índice é o fato de que apenas 1,28% desse lixo é reciclado, quando a média mundial é de 9%. Mudar essa realidade é o objetivo da campanha #julhosemplastico, que surgiu na Austrália em 2011 e no Brasil entra no seu terceiro ano consecutivo.

Do total de 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico gerado no Brasil, 7,7 milhões acaba indo para aterros sanitários e 2,4 milhões são descartados de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto.

Embora os números do Brasil sejam alarmantes, este não é um problema exclusivo dos brasileiros. O WWF alerta que se essa prática não mudar, em 2050 teremos mais plástico do que peixes nos oceanos, uma vez que a previsão é de que até lá o mundo produza 1,25 bilhões de toneladas de plástico por ano.

 

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O que é o #julhosemplastico

Neste ano, o tema da campanha é “Um por Todos e Todos por Zero”. A proposta é conscientizar e convidar as pessoas a refletirem sobre a quantidade de descartáveis que consumimos e descartamos no planeta e propor uma mudança de atitude e de comportamento. Fazer com que as pessoas repensem o seu consumo, apreendam a viver com menos descartáveis plásticos e saibam o que é reciclável e o que não é.

A bióloga e sócia fundadora da Beegreen Sustentabilidade Urbana de Curitiba, Jessica Pertile, ressalta que uma das grandes dificuldades é justamente saber quais plásticos são recicláveis ou possuem mercado para reciclagem, e quais acabam sendo descartados.

“Além de eliminar esses plásticos de uso único, que é canudo, sacolas etc., precisamos evitar essas embalagens que não têm reciclagem. E muitas pessoas não sabem disso. Em Curitiba, o problema é que esses produtos estão indo para incineração, indústria de cimento. Além disso tem o isopor, que tem uma única cooperativa que recicla”, explicou Jessica ao observar que grande parte dos materiais acabam indo para as cooperativas, mas não têm mercado.

Saiba mais sobre a campanha aqui.

Educação ambiental é o caminho

Especialistas e ativistas são unânimes em afirmar que somente a Educação Ambiental ampla e inclusiva, associada a algumas medidas que restrinjam a utilização do produto, é capaz de mudar essa realidade.

“O plástico é um material com baixo custo, por isso temos que sensibilizar muito mais através da Educação Ambiental. E já que não conseguimos mudar os hábitos tão facilmente, acho que uma ação conjunta deve ser a proibição de plástico de uso único, o que algumas cidades já estão fazendo”, avaliou a Gestora Ambiental e Embaixadora Lixo Zero no Paraná, Iracema Bernardes.

O aumento da logística reversa – conjunto de procedimentos e meios para recolher e dar encaminhamento pós-venda ou pós-consumo ao setor empresarial, para reaproveitamento ou destinação correta de resíduos – também é visto como fundamental nesse processo.

Jessica Pertile compactua da mesma opinião e conta que foi através da educação ambiental que sentiu o despertar para a causa Lixo Zero.  Desde pequena, na escola ou em casa, se viu cercada de exemplos, como o da Família Folhas, que ensinava a separar o lixo aqui em Curitiba, que a levaram a escolher a profissão e seguir o caminho da sustentabilidade urbana.

O custo da sustentabilidade

O baixo custo do plástico e a versatilidade são os principais motivos para a sua utilização em larga escala. Prova disso é que hoje em dia é praticamente impossível imaginar um mundo sem plástico. Mas se não podemos evitá-lo, podemos ao menos repensar a sua utilização e evitar o consumo de plásticos uso único.

“Sabemos que nem todo mundo pode trocar uma escova de dente plástica por uma de bambu. E não é isso que se busca. A proposta é que cada um faça o que está ao seu alcance, que não impacte tanto no orçamento, como por exemplo evitar sacola, canudo, que você fala o que esteja dentro do possível. Só o fato de você conversar sobre isso com sua família, com seus amigos, já faz a diferença”, ponderou Jessica.

Paraná Lixo Zero

Ambientalista e cicloativista, o deputado estadual Goura (PDT) é autor da Lei 19.979 que institui a Semana Estadual Lixo Zero no Paraná. Este foi o primeiro projeto protocolado de autoria exclusiva do parlamentar. A Lei estabelece que Semana Estadual do Lixo Zero será realizada anualmente na última semana do mês de outubro e integrará o calendário oficial de eventos do Estado do Paraná.

“Nosso objetivo com esta lei é difundir o conceito de ‘lixo zero’, que é nada mais do que encaminhar de maneira correta os resíduos, o lixo que nós produzimos”, disse Goura.

Além dos projetos de lei sobre o tema, Goura tem procurado colocar o assunto em pauta com a realização de audiências públicas, parcerias em projetos como Itaperuçu Sustentável, realização de oficinas de compostagem e troca de experiências com diversos coletivos que atuam na causa.

As ações do Mandato Goura a favor do Lixo Zero podem ser conferidas aqui e sobre o meio ambiente aqui.

Dicas: repense, recuse, reduza, reuse, recicle

  • Evite plásticos de uso único, como copo, garrafas, talheres, canudos, embalagens de guloseimas; plástico que tenha ciclo de vida menor do que um ano, como embalagens de xampu, de itens de limpeza e de alimentos.
  • Recuse sacolas descartáveis. Deixe sempre uma ecobag na bolsa.
  • Composte o resíduo orgânico, o que for reciclável pode ser limpo e armazenado em sacos maiores ou em caixas de papel. O que não for reciclável nem compostável vai para o lixo comum e nele você pode colocar um “saquinho” feito de jornal dobrado ou o saco de pão.
  • Priorize as compras a granel, poupe embalagens. Se possível, leve os saquinhos de tecido e potes reutilizáveis da sua casa.
  • Monte seu kit lixo zero e deixe na bolsa (canudo de inox, ecobag, copo, talheres, guardanapo de tecido).
  • Não compre garrafinhas de água. Crie o hábito de andar sempre com sua garrafinha retornável em mãos.
  • Se tem o mesmo produto em plástico e vidro, opte pelo de vidro sempre que possível. Ele pode ser reutilizado em outras situações muitas vezes.
  • Consuma apenas o necessário.
  • Prefira produtos ecológicos e materiais reciclados.
  • Separe seus resíduos recicláveis e certifique-se de que eles estão indo para o destino certo.