Publicado há 4 semanas

Não fosse a disposição dos ativistas antiproibicionistas em lutar pela  descriminalização da maconha, a causa em favor da cannabis medicinal ainda estaria relegada a ficar longe do debate público e a impedir o acesso aos medicamentos e seus derivados que beneficiam milhares de pacientes e famílias no Brasil.

 

Este foi o destaque dado pelos participantes da Mesa 4, do Fórum Paranaense de Cannabis Medicinal, que aconteceu, nesta sexta-feira (2) e teve como tema “Ativismo e Associações Cannábicas” e que reuniu representantes de entidades, ativistas e estudiosos.

 

“Quero destacar a importância desse debate e em especial às mães de pacientes que assumiram a luta em favor da cannabis medicinal e não mediram esforços para garantir os seus direitos e de todos os outros que se beneficiaram, milhares de famílias e paciente no país”, disse Leonardo Baggio, ativista antiproibicionista e assessor parlamentar do Mandato Goura, que mediou a Mesa 4.

 

Assista abaixo a íntegra do vídeo com os participantes da Mesa 4 do Fórum Paranaense de Cannabis medicinal:

 

 

O professor de História Moderna da Universidade de São Paulo (USP), Henrique Carneiro, militante histórico antiproibicionista e um dos criadores da marcha da maconha de São Paulo (SP), alertou que toda a questão que impede o uso da maconha para fins terapêuticos está no contexto da política de guerra às drogas e aos preconceitos que essa ideologia propaga.

 

“A questão da maconha, do seu uso medicinal ao uso recreativo, não é um tema que se reduz ao senso comum difundido pela ideologia da guerra às drogas”, disse. “A cannabis é além de um medicamento, um tema que tem que ter abordagem social e uma solução também social.”

 

O cofundador e gerente da Associação Brasileira de Cannabis Esperança (Abrace Esperança), Luciano Lima, destacou que, além de ter 21 mil pacientes em todo o país, a Abrace Esperança também faz um trabalho social de acolhimento muito importante.

 

A Abrace Esperança é uma associação sem fins lucrativos, localizada em João Pessoa (PB), autorizada desde 2017 pela Justiça brasileira a cultivar e fornecer derivados da Cannabis sativa aos seus associados em forma de óleos e pomadas.

 

“Nosso trabalho nasce da omissão do Estado, que apesar de todas as evidências e estudos científicos ainda não facilita o acesso aos medicamentos e derivados da cannabis que poderiam beneficiar milhares de pessoas, que atualmente enfrentam dificuldades e restrições devido aos altos custos para ter acesso à cannabis medicinal”, disse Luciano.

 

Marcha da Maconha

 

O cientista social, mestre em Antropologia Social, antiproibicionista e membro do Coletivo Marcha da Maconha Curitiba, Mauro Leno, reafirmou a importância dos ativistas, com destaque para os “jardineiros” (como são chamadas as pessoas que detém o conhecimento do cultivo da cannabis), para que a cannabis medicinal esteja hoje acessível, mesmo com restrições.

 

“A história da maconha medicinal não começou em 2014. Foi lá nos anos 1970 e depois nos 1980 que essa luta pela descriminalização foi ganhando visibilidade e garantiu o direito básico a defender essa pauta tão importante”, contou Leno.

 

Ele finalizou a o debate destacando a pauta da Marcha da Maconha: Reparação histórica já; Maconha medicinal no SUS; Nem mais um preso por plantar; Usuário não é criminoso; Jardineiro Não é Traficante; Pelo fim do Genocídio da Juventude Periférica e A guerra às Drogas é Uma Guerra aos Pobres.

 

Palestrantes

Também participaram da Mesa 4: Monique Prado, doutoranda em ciências sociais e assessora parlamentar na ALERJ; Sérgio Vidal, autor do livro “Cannabis Medicinal: introdução ao cultivo indoor”; Maria Aline Gonçalves, vice-diretora da Satiba e mãe do Victor; Mariana German, advogada criminalista da Reforma e Raoni Molin, presidente da Acanpa.

 

O Fórum Paranaense de Cannabis Medicinal é uma iniciativa do deputado estadual Goura (PDT/PR), autor do PL 962/2019, que assegura o acesso a medicamentos e produtos à base de canabidiol (CDB) e tetrahidrocanabinol (THC) para o tratamento de doenças, síndromes e transtornos de saúde.