Goura participa de evento em homenagem ao líder indígena Ângelo Kretã

A história de luta e resistência dos povos indígenas na defesa e retomada dos seus territórios tradicionais é o que motiva a presença de cada um dos indígenas que estão no evento realizado para homenagear o cacique Ângelo Kretã (1942 – 1980), morto há 40 anos, e considerado um dos maiores símbolos da luta indigenista no Brasil, e que contou com a presença do deputado estadual Goura (PDT).

“Sempre é muito forte e emocionante participar de eventos como este. A luta pelos direitos dos povos indígenas é uma das mais legítimas lutas políticas do país. Por isso, relembrar o cacique Kretã é tão simbólico. E acredito que as lideranças indígenas também devem ocupar a política, estar nos espaços de poder do homem branco, para fazer valer seus direitos”, disse Goura na abertura do evento, lembrando que Ângelo Kretã foi o primeiro vereador indígena eleito do país, em 1976.

Goura também criticou o governador Ratinho Jr. Por não atender as demandas dos povos indígenas do Paraná e por não enviar para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) o projeto de lei que regulamenta a criação do Conselho Estadual dos Povos Indígenas do Paraná, anunciado em março do ano passado.

“Realizamos duas audiências públicas sobre os direitos dos povos indígenas, em Foz do Iguaçu e em Curitiba, e levamos ao Governo do Estado as principais reivindicações das lideranças e até o momento não obtivemos respostas a estas demandas”, disse Goura. “A lei de criação do Conselho dos Povos indígenas é uma das principais. É preciso que o governador envie para a Assembleia este projeto de lei fundamental para que as políticas públicas para os indígenas do Paraná possam ser discutidas e executadas”.

Confira a fala do deputado Goura no evento:

Encontro lideranças indígenas

A reunião de lideranças indígenas, que acontece desde segunda-feira (27), na Aldeia Tupã Nhe’é Kretã, e se encerra, na quarta-feira(29), no Auditório Ary Florêncio Guimarães, no Ministério Público do Paraná (MP-PR), em Curitiba, tem como objetivo discutir as perspectivas e estratégias do movimento em defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil.

A realização é do Movimento dos Acampamentos e Retomadas da Região Sul, da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e da Comissão Guarani Yvyrupa, com o apoio dos movimentos sociais e simpatizantes da causa indígena.

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Homenagem a Ângelo Kretã

Um dos organizadores e anfitrião do encontro, Kretã Kaingangue, falou com entusiasmo e emoção aos participantes sobre os objetivos do encontro e sobre seu pai Ângelo Kretã, um dos principais líderes indígenas no país nos anos 70 e até hoje referência para todas as lideranças indígenas do Brasil.

“Sabe por que não chamo o Ângelo Kretã de pai? Que não falo o meu pai? Porque ele falava que não tinha medo da morte porque se ele fosse morto viriam milhares de outros Kretãs para continuar a sua luta”, contou. “Hoje nós honramos a memória de Ângelo Kretã por continuar a sua luta e porque não vamos desistir nunca dos nossos direitos a terra e a nossa cultura”.

História de Ângelo Kretã

O nome Kretã é traduzido por Francisco Luís dos Santos (importante liderança Kaingang da Terra Indígena Mangueirinha) como “aquele que olha por cima da montanha enxerga mais alto”, segundo consta na Dissertação de Mestrado em Antropologia social apresentada ao programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Paraná por Patrick Leandro Baptista, em 2015.

Uma reportagem publicada pelo portal do Instituto Humanitas Unisinos – IHU , em setembro de 2017, conta um pouco da história de Ângelo Kretã, confira um trecho:

“Considerado a maior liderança indígena do Sul do país nos primórdios do movimento, o Cacique Kretã vivia na Aldeia Mangueirinha, no Sudoeste do Paraná. Por sua liderança incontestável foi eleito em 1976, em plena ditadura, o primeiro vereador indígena pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o que lhe garantiu projeção nacional.

Ao defender como parlamentar o que é de direito aos povos originários do Brasil, especialmente a demarcação de terras, Ângelo Kretã era uma voz que dava eco a todas as demandas indígenas com carisma e determinação.

Sua morte prematura em 1980 num ‘acidente de carro’ numa estrada dentro da aldeia, causou grande comoção nacional. Diante da convicção das lideranças indígenas da época – e até hoje – que não ele foi vítima de uma emboscada, sua memória persiste e inspira novas lideranças na luta pelos direitos dos povos indígenas.

Assassinado durante a Ditadura

O portal Índio É Nós, relembra em artigo, que: “Seu assassinato foi uma das graves violações de direitos humanos relatadas pela Comissão Nacional da Verdade em 2014: Ameaças e assassinatos de lideranças indígenas e indigenistas foram comuns nesse período, como o assassinato do líder kaingang Ângelo Kretã, morto em 1980, e do Guarani Marçal de Souza, fundador da União das Nações Indígenas assassinado em 1983. Ambos eram lideranças indígenas com projeção nacional e internacional no período e denunciaram com grande veemência o esbulho de suas terras no Paraná e no Mato Grosso. (CNV, Relatório, vol. II, p. 244).

Saiba mais sobre Ângelo Kretã

Em 1980, um Globo Repórter Especial foi produzido para retratar a comoção que foi a morte de Ângelo Kretã, assista ao vídeo:

Em 1983, o cineasta Sérgio Bianchi realizou o documentário Mato Eles?, ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Gramado e do Grande Prêmio do Festival de Cinema da Cidade do México, em 1985, que denúncia da situação dos índios Xavante, Guaranis e Xetás, espremidos no meio de uma briga litigiosa entre o Grupo Slaviero, a Funai e o Governo do Estado do Paraná.

Assista ao documentário abaixo: