“O PDT tem história, presente e futuro”, diz Goura em entrevista

Eleito vereador e depois deputado estadual pelo Partido Democrático Trabalhista do Paraná (PDT-PR), Goura Nataraj é um político que tem compromisso com a coerência partidária. A opção pelo partido não se deu por simples conveniência.

Depois de deixar o PV, que, segundo ele, abandonou a luta em defesa do meio ambiente, Goura encontrou no PDT um partido que tem história, com militância e compromissos éticos.

Para ele, o PDT tem um presente comprometido com as pautas relacionadas ao bem comum e a um futuro com uma proposta de desenvolvimento diferente do que vivemos hoje no Brasil.

Nesta entrevista, o líder da bancada do PDT na Assembleia Legislativa do Paraná conta um pouco dessa relação com a legenda, faz algumas considerações relevantes e garante que o PDT estará na disputa pela prefeitura em Curitiba. Leia a entrevista a seguir:

 

Você é, antes do vereador e do deputado, um ativista do meio ambiente, da bicicleta e das causas do bem comum. Já foi filiado ao Partido Verde, que teoricamente faria todo sentido, mas não se “encaixou” na sigla. Pelo PDT, foi eleito vereador e deputado estadual, sendo o mais votado da legenda. O que lhe fez escolher o PDT?

 

Goura – Recebi o convite para me filiar ao PDT do então prefeito Gustavo Fruet. Primeiro fui convidado para atuar como assessor, na Secretaria de Trânsito, na área de mobilidade, onde pudemos fazer muitas ações em prol da bicicleta, dos pedestres, da redução das mortes no trânsito.

Época em que foram criadas as vias calmas de Curitiba. Então veio o convite para eu me filiar ao PDT. Tinha saído de uma candidatura a deputado federal pelo PV e entendi que faltava um pouco mais de compromisso verde naquele partido.

Então, pedi a minha desfiliação e, com o convite do Fruet, me senti à vontade para me filiar num projeto de construção partidária, baseada nos compromissos com os direitos sociais, com a educação, que são bandeiras históricas do PDT.

Fui candidato a vereador e me elegi com mais de 6,5 mil votos e me tornei líder do PDT e líder da oposição na Câmara Municipal de Curitiba. Foi um processo natural a partir de afinidades ideológicas e de construção coletiva.

E qual é, na sua opinião, o grande diferencial do Partido Democrático Trabalhista, se comparado com outros partidos do campo progressista?

 

Goura – Primeiro o PDT tem uma história. Uma história rica, plena de bons exemplos de vida pública, de compromissos éticos, desde Darcy Ribeiro, desde Brizola.

Atualmente a gente vê o PDT como um partido que consegue fazer um diálogo com alguns campos. É, no meu entendimento, um partido de centro esquerda, comprometido com os direitos humanos, com o meio ambiente, com o direito dos trabalhadores, comprometido com políticas públicas.

Então a gente tem essa história, e esse é o grande diferencial. A gente tem um presente, temos muitos parlamentares no Brasil inteiro comprometidos e avançando nessas temáticas de forma coerente.

E a gente tem um futuro, na figura do ex-deputado, ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, que apresenta um projeto de desenvolvimento diferente desse que está posto.

 

Quais seriam as principais diferenças?

 

Goura – É uma proposta de desenvolvimento baseado no respeito à dignidade humana, com uma noção muito sensata sobre a economia e o papel do Estado. Acho que são diferenciais que refletem essa coerência do partido.

Obviamente estamos falando de um partido presente no Brasil inteiro e a gente vai ter problemas na construção de um programa nacional. Mas acho que é no processo que se coloca, de se construir cada vez mais a democracia dentro do partido, a escuta atenta aos movimentos sociais. Acho que o PDT está caminhando nesse sentido, está reafirmando os seus compromissos.

 

Falando em construção, sabemos que todos os partidos, independente do campo em que atuam, possuem contradições. Nesse sentido, na sua opinião o que merece ser revisto no PDT?

 

Goura – Por ser um partido com muita história, às vezes falta espaço para a gente trazer uma oxigenação. Mas é um processo dialético, é um processo da política e naturalmente os novos quadros têm que vir, têm que fazer a crítica, têm que se posicionar e eu espero estar contribuindo nesse processo.

Vejo no deputado federal Túlio Gadelha, no Everton Gomes, pré-candidato a vereador no Rio de Janeiro, toda uma geração de jovens lideranças dentro do PDT que está comprometida com essa visão.

Que entendem que o partido deve, sim, ser preservado, mas que a gente tem que estar o tempo todo otimizando, dinamizando, fazendo essa escuta atenta e respeitosa aos movimentos sociais e as demandas da sociedade.

 

No Paraná, o PDT já foi governo e já administrou a prefeitura da Capital, além de muitos outros municípios. Qual é, na sua avaliação, o grande legado do partido no estado até agora?

 

Goura – O PDT tem uma história no Paraná, mas quero me ater à história recente na figura do deputado federal Gustavo Fruet, ex-prefeito de Curitiba, que teve uma gestão comprometida com uma agenda urbana, com uma agenda ambiental e uma agenda social.

Foi o exemplo de uma boa gestão, uma gestão séria e que foi boicotada pelo ex-governador Beto Richa, que se aproveitou da sua posição como governador para prejudicar sua gestão da Prefeitura de Curitiba.

Com isso, Richa prejudicou a vida dos curitibanos e dos moradores da Região Metropolitana. E eu lembro que o atual governador Ratinho Junior esteve o tempo todo na gestão do Beto Richa.

Como secretário de Desenvolvimento Urbano, ele foi um dos responsáveis pelo desmantelamento da integração metropolitana para priorizar um jogo político, um jogo para favorecer os seus aliados e criar empecilhos para a boa gestão dos seus adversários.

 

Mas apesar desse boicote, a gestão Gustavo Fruet conseguiu grandes avanços, não é?

 

Goura – Acho que o legado da gestão Gustavo Fruet tem que ser visto nesta perspectiva, de uma atuação corretíssima, baseada na ética, na transparência, no investimento pesado em educação, em saúde pública e com muitos avanços significativos na área de mobilidade.

A gente teve um começo de uma política cicloviária sendo implantada em Curitiba. As áreas ambientais, as unidades de conservação, o tratamento da moradia como um direito social.

Muitas das questões que foram colocadas pelo Gustavo, nos seus quatro anos de gestão, devem ser reafirmadas pelo PDT. Temos que assumir esse protagonismo da boa gestão dos municípios brasileiros.

 

Com essa perspectiva, você já se colocou como pré-candidato a prefeito de Curitiba. Na sua opinião, quais seriam as prioridades do PDT para a Capital, caso o partido assuma novamente a administração municipal?

 

Goura – Eu fui o único vereador de Curitiba que se elegeu deputado estadual, estou como líder da bancada do PDT na Assembleia e entendo que como cidadão curitibano, como pai de crianças curitibanas, preocupado com o desenvolvimento da cidade, é minha obrigação colocar o meu nome à disposição do partido e da cidade para uma eventual gestão frente à prefeitura.

O PDT vai estar presente na disputa majoritária, seja comigo ou com o ex-prefeito Gustavo Fruet, que tem meu total apoio. A gente tem um diálogo plenamente harmonioso nesse sentido.

E qual é o modelo de cidade que o PDT defende?

 

Goura – O PDT defende uma visão de cidade diferente, de cidade menos desigual, uma visão com real inovação na área de mobilidade, na área ambiental e na social.

O contrário acontece com a gestão Greca. A gente vê o atual prefeito comprometido com o lucro e com os grandes contratos dos empresários que prestam serviços à prefeitura de Curitiba.

Há uma completa falta de inovação na área de mobilidade. Faz quase quatro anos que não temos uma política para estimular e aumentar o uso da bicicleta.

Na área ambiental, o que se vê é um descaso, uma cidade que está parada no tempo, vivendo do eco do que foi nos anos 70 e 80.

Há também um desmantelamento da saúde pública e da educação pública.

Então, acho que o PDT vem para reafirmar a importância da educação, das políticas públicas de educação, da valorização dos professores, das escolas públicas da rede municipal.

Vem para valorizar o atendimento à saúde pública, os profissionais, os equipamentos. A gente viu agora durante a pandemia mais de 30 Upas fechadas pelo atual prefeito.

Também queremos promover essa visão de cidade menos desigual. Temos que ter cada vez mais esse conceito de cidade metropolitana, de uma cidade que precisa inovar.

Infelizmente a atual gestão não tem priorizado a função social do transporte, da educação, da saúde pública, mas tem sim priorizado a manutenção de um sistema que favorece o lucro de poucos em detrimento da qualidade de vida para todos.

O PDT está firme, está forte, está com um projeto de cidade baseado na ciência, baseado na escuta e baseado na justiça social acima de tudo.