Ela vive presente no imaginário e no folclore brasileiros, mas na realidade a onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das Américas e o terceiro do mundo, está criticamente ameaçada de extinção por já ter perdido 85% de seu habitat e corre sério risco de desaparecer na Mata Atlântica do país, onde estima-se que vivam cerca de 250 indivíduos.

 

E o maior contingente de onças-pintadas da Mata Atlântica está no Paraná, segundo estimativa do Projeto Onças do Iguaçu. O último censo, realizado em 2018, contabilizou 28 onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu (PNI) e 105 no Corredor Verde entre Brasil e Argentina. O PNI tem 185 mil hectares e é o maior núcleo remanescente das populações de onças-pintadas na Mata Atlântica.

 

 

Para debater a importância de se estabelecer políticas públicas de preservação da onça-pintada e de seu habitat a Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realizará a Audiência Pública Grandes Felinos do Paraná, na segunda-feira (29), data que se comemora o Dia Nacional da Onça-Pintada, a partir das 9 horas, com transmissão ao vivo pelas redes sociais da Alep.

 

“Vamos conversar nesta audiência pública sobre políticas públicas pela conservação dessa espécie e a necessidade da criação de um Programa Estadual para a Conservação dos Grandes Felinos do Paraná. Participarão do debate representantes de universidades, forças de fiscalização ambiental, ONGs e membros do poder público”, informou o deputado Goura (PDT), presidente da Comissão de Meio Ambiente.

 

O deputado disse que são necessárias ações concretas e urgentes para recuperar a Mata Atlântica e salvar a onça-pintada. “Essa espécie de grande felino foi quase dizimada nos anos 90. Foi com muito esforço e dedicação dos conservacionistas, ambientalistas e muita gente, como os moradores lindeiros ao PNI, por exemplo, que estamos conseguindo preservar e até mesmo ver a população de onças aumentar.”

 

Programa de conservação

 

“Por isso essa audiência pública vai debater a implementação de políticas públicas de proteção e conservação das espécies e as atribuições de cada esfera do Estado. O objetivo é construir diretrizes do Programa Estadual para a Conservação dos Grandes Felinos do Paraná, com estratégias de curto, médio e longo prazo”, explicou Goura.

 

A presença da onça-pintada na região do Parque Nacional do Iguaçu e na Serra do Mar, na Grande Reserva da Mata Atlântica, entre os estados de São Paulo e Paraná, significa, informou Goura, que essas regiões apresentam condições saudáveis, permitindo não só a sobrevivência da espécie na área, mas também a reprodução.

 

“Os pesquisadores explicam que por ser um animal do topo da cadeia alimentar, a onça-pintada tem um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas. E que a sua extinção traria efeitos devastadores na biodiversidade da fauna e até mesmo da flora, com consequências imprevisíveis para todos nós.”

 

Programação

 

Participam da audiência o biólogo Roberto Fusco, que trabalha no Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar de Monitoramento e Conservação; o biólogo e 1º Tenente Ulisses de Deus Gomes, da 3ª companhia da PM-PR de Maringá e comandante do 1º Pelotão da 3ª Companhia do Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde da PM-PR e Angela Kuczach, graduada em Ciências Biológicas pela UFPR e diretora da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação (Rede Pró UC).

 

Também participam a bióloga Yara de Melo Barros, coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu; a médica veterinária Rose Gasparini Mora, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros/CENAP; Fernando Tortatto, da ONG Panthera; o biólogo e fotógrafo Leonel Carlos Anderman e Bianca ingberman, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) e do Instituto Manacá, onde integra a equipe coordenadora do “Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar de Monitoramento e Conservação¨.

 

Além da coordenadora de Gestão de Recursos Naturais e Educação Ambiental da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest) Fernanda Góss Braga; do diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clovis Borges; da bióloga Marion Letícia Bartolamei Silva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e da estudante e militante socioambiental Clara Marés.

 

Características da onça-pintada

 

A onça-pintada era encontrada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o centro-sul da Argentina e Uruguai e vivia em diversos habitats, de florestas aos semiáridos. Hoje é considerada extinta nos EUA e muito rara na América Central. Está seriamente ameaçada na América do Sul. No Brasil, ela originalmente ocupava todos os biomas.

 

As onças podem ser ativas durante o dia e à noite e geralmente evita locais com atividades humanas, mas têm hábitos solitários. Se alimentam de animais de médio e grande porte, como anta, porco-do-mato, veado, tamanduá, capivara, jacaré e quati. Elas podem viver entre 12 e 15 anos em média quando livres e pesam entre 60 e 100 quilos. Machos e fêmeas só se encontram para reproduzir e têm em média dois filhotes.