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A Assembleia Legislativa aprovou, nesta terça-feira (11), o projeto de Lei 552/2026, que reconhece a Bebida Cataia como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Paraná. Espécie endêmica do litoral paranaense, a Drimys Brasiliensis Miers, faz parte das práticas comunitárias, celebrações e manifestações culturais da população caiçara.
O autor do projeto, aprovado em turno único, deputado estadual Goura (PDT), afirmou que a cataia é uma bebida tradicional, símbolo da cultura do litoral paranaense e que sua produção reúne conhecimentos e modos de fazer transmitidos entre gerações.
“A cataia está especialmente ligada às comunidades de Guaraqueçaba, das ilhas da Baía de Paranaguá e da Barra do Ararapira, no Litoral Norte do Paraná. Ela faz parte das práticas comunitárias, celebrações e manifestações culturais, como o fandango”, disse Goura.
A Drimys Brasiliensis Miers é uma espécie nativa da Mata Atlântica, seu nome possui origem do tupi que significa “folha que queima”, sendo amplamente usada por suas propriedades medicinais.
Inicialmente utilizada como chá, a cataia se popularizou na região como uma bebida na década de 80, quando suas folhas foram misturadas com cachaça. A partir disso a bebida se popularizou e passou a ser conhecida também como “uísque caiçara”.
Goura lembrou que as mulheres caiçaras têm papel fundamental na coleta, no beneficiamento e na manutenção dessa tradição, que expressa a relação histórica das comunidades com a Mata Atlântica e com seu território.
“Sua valorização, além de contribuir para preservar a planta e fortalecer práticas sustentáveis de manejo, fortalece uma agenda mais ampla de valorização, regularização e fortalecimento da cadeia produtiva da cataia, que está associada também ao turismo de base comunitária, à gastronomia e à geração de renda no litoral”, afirmou.

Reconhecimento da Bebida Cataia fortale o turismo
Para o empresário e criador do Onça Bêbada, Guilherme Romani, a aprovação do projeto é importante porque a cataia traz também uma identidade do Paraná.
“Como eu trabalho muito com turismo, com pessoas que vêm de fora, acredito que precisamos valorizar esse produto. Quando viajamos para outros lugares, buscamos aquilo que é típico e regional. Se você vai a Portugal, por exemplo, quer experimentar um vinho ou algum produto característico de lá. Isso também é cultura”, disse Romani.
A partir da aprovação desse projeto, abre-se uma perspectiva de valorização e regulamentação dos produtos à base da cataia.
“É isso que pensamos em fazer com a cataia: valorizar essa cultura e criar condições para que existam mais produtos e subprodutos a partir dela. Hoje, a cataia ainda não tem registro no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), e isso precisa ser resolvido. Sem esse registro, não há comercialização regular nem como incentivar a produção”, acrescentou.
Guilherme também destacou a dimensão social da cataia e os prejuízos que a falta de uma regulamentação provoca. “Pequenos produtores e produtoras do litoral, muitas vezes, dependem dessa atividade para sua sobrevivência. Houve casos de apreensão de produtos de pessoas que tinham nessa produção uma fonte de sustento”, contou.
Goura lembrou, por fim, que o seu mandato já está trabalhando, junto com as comunidades tradicionais, no processo da regulamentação da Cataia junto ao MAPA.

Goura é Deputado Estadual em seu segundo mandato e presidente do PDT-PR. Mestre em Filosofia (UFPR), professor de yoga e ativista, consolidou-se como um dos parlamentares mais atuantes do Paraná, com 55 leis aprovadas. Após conquistar o 2º lugar para a Prefeitura de Curitiba em 2020 com mais de 110 mil votos, reafirma seu compromisso com a capital como pré-candidato em 2024. Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista.



