Mandato Goura

Goura protocola PL Criança e Natureza para ampliar acesso ao meio ambiente e enfrentar excesso de telas

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Audiência pública no dia 9 de junho vai debater estratégias para ampliar o acesso ao meio ambiente, qualificar os espaços públicos e enfrentar a dependência digital na infância

Na abertura da Semana do Meio Ambiente, nesta segunda-feira (1º), o deputado estadual Goura Nataraj (PDT) protocolou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) o Projeto de Lei Criança e Natureza.

Goura explicou, em pronunciamento no Plenário, que a proposta institui o acesso à natureza como política pública de Estado para crianças e adolescentes, integrando proteção da infância, promoção da saúde, educação ambiental e adaptação às mudanças climáticas.

“O verde precisa estar onde as crianças vivem, estudam, brincam e são cuidadas. Hoje assistimos a uma infância cada vez mais confinada, adoecida pelo excesso de telas e pela falta de espaços públicos”, denunciou.

“O direito à natureza é parte inseparável do direito à cidade, à saúde, ao brincar e a uma infância protegida. Não basta apenas pedirmos para que as crianças saiam das telas se a nossa cidade não lhes oferece espaços verdes, seguros e acolhedores”, alertou Goura.

A proposta do PL Criança e Natureza pretende transformar escolas, unidades de saúde, conjuntos habitacionais, parques e demais equipamentos públicos em ambientes mais arborizados, permeáveis e adequados ao desenvolvimento infantil.

Audiência pública dia 9

O PL Criança e Natureza será debatido na audiência pública “Criança e Natureza: estratégias e ferramentas legais por menos telas e mais vida ao ar livre”, no dia 9 de junho, das 9h às 12h, no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná.

“A audiência pública será o espaço democrático de debate da proposta, reunindo especialistas, gestores públicos e organizações da sociedade civil para discutir caminhos legais que aproximem crianças do meio ambiente e da vida ao ar livre”, explicou Goura.

O evento contará com a participação de representantes da Sociedade Brasileira de Pediatria, Hospital Pequeno Príncipe, Universidade Federal do Paraná, Instituto Alana, União de Pais pelo Autismo e gestores municipais.

O plenário receberá uma instalação brincante organizada pela Casa Labirinto para garantir a presença das crianças no espaço de debate. A audiência terá transmissão ao vivo e tradução em Libras.

Semana do Meio Ambiente

O protocolo do PL Criança e Natureza ocorre no início da Semana do Meio Ambiente, que culmina no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. Para Goura, o debate ambiental precisa incorporar a relação entre infância, cidades e crise climática.

“As tragédias que acompanhamos em Rio Bonito do Iguaçu e no Rio Grande do Sul não são fatos isolados. O El Niño vem aí, e tudo indica que os eventos climáticos extremos vão nos atingir com força neste segundo semestre.”

Para Goura, diante dessa realidade é preciso trazer uma pergunta urgente para o centro do debate político: como está a relação das nossas crianças com a natureza?

“O verde precisa estar onde as crianças vivem, estudam, brincam e são cuidadas. Esses espaços não podem mais ser ambientes áridos, cimentados e quentes. Precisam urgentemente se tornar espaços de cuidado, de aprendizagem e de contato com a natureza”, respondeu.

Desemparedamento da infância

Goura explicou que o eixo central do PL Criança e Natureza é o chamado desemparedamento dos espaços públicos utilizados por crianças e adolescentes.

O PL estabelece a substituição progressiva de áreas excessivamente concretadas e impermeabilizadas por espaços arborizados, sombreados e permeáveis, ampliando o contato cotidiano com a natureza.

Menos telas, mais vida ao ar livre

Segundo Goura, o PL Criança e Natureza responde a uma realidade marcada pelo confinamento da infância em ambientes fechados e pelo crescimento do tempo de exposição às telas.

A proposta reconhece oficialmente o contato com a natureza como ferramenta de promoção da saúde pública e de enfrentamento do sedentarismo, da obesidade, do estresse e da ansiedade.

Justiça climática e social

O projeto estabelece prioridade de investimentos em territórios de maior vulnerabilidade socioambiental, onde normalmente há menos áreas verdes e maior exposição às ilhas de calor e aos riscos decorrentes das mudanças climáticas.

Para Goura, ampliar a presença da natureza nesses territórios é uma medida simultaneamente social, urbana e ambiental. “Não podemos esquecer que esta é, acima de tudo, uma pauta de justiça social e equidade urbana.”

“São as crianças das periferias que têm menos acesso a parques, a praças arborizadas e a espaços livres de qualidade. Mais árvores, vegetação e áreas permeáveis reduzem o calor, melhoram a drenagem e tornam as nossas cidades mais resilientes para o que está por vir”, destacou.

Propostas do PL Criança e Natureza

Nas escolas, o projeto prevê a implantação de pátios naturalizados com terra, grama, hortas, áreas de sombra e brinquedos produzidos com elementos naturais.

Nas unidades de saúde voltadas ao atendimento infantojuvenil, a proposta determina a incorporação de paisagismo naturalizado e espaços externos de brincar, buscando reduzir estresse e ansiedade e tornar os ambientes mais acolhedores.

O PL também alcança conjuntos habitacionais e projetos de regularização fundiária, exigindo arborização, áreas de lazer infantil, praças e soluções de drenagem baseadas na natureza.

Nos parques estaduais, a proposta prevê adaptações voltadas ao brincar livre, à educação ambiental, à acessibilidade universal e ao uso de mobiliários sustentáveis.

 

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