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O punk é política! Pelo menos foi esse o consenso na roda de conversa “Punk e Política”, promovida pelo deputado estadual e candidato à reeleição Goura (PDT) com músicos, ativistas e integrantes da cena punk de Curitiba, nesta terça (4), no Viva La Vegan.
A conversa também contou com falas de Roberta Cibin, Babi Age, Jessica Emme e Rodrigo Ponce.
Goura questionou: “O que é ser punk aos 46 anos?” Lembrou dos filhos dos amigos e da sua filha presentes no encontro. “Começamos a nos dizer punks com 15 ou 16 anos, fazendo as coisas com base no faça você mesmo. Estávamos fazendo o que podíamos. Fico feliz em ver que uma essência se mantém”, recordou.
Punk Krishna ou Krishna punk
Ele comentou que todos vivenciaram muitas fases. “Já me perguntei se eu era Hare Krishna punk ou “punk Krishna”. Depois, pensei que seria um ativista da arte, um “artivista”. Mais tarde, me vi fazendo política e me perguntei o que era aquilo”, questionou.
“Vale lembrar que tudo o que fazemos é política e ao sair de casa, já estamos fazendo política. Todos estão fazendo política o tempo todo”, disse. E reconheceu que no punk há uma “antipolítica” de uma aversão à política.
“Coisa com a qual não discordo totalmente, pois é baseada em princípios do anarquismo, ausência de Estado, cooperação, ajuda mútua, colaboração e autogestão”, completou Goura.
Ele lembrou que o punk foi sua formação política, iniciada com o Dead Kennedys e ouvindo as letras do Jello Biafra aos 15 ou 16 anos.
“A cena punk em que crescemos era extremamente politizada. Foi nela que tive contato com ideias de antifascismo e de combate à xenofobia e à homofobia. Esse repertório não aparecia na escola, lugar com o qual eu não me identificava. Foi nessa cena, com pessoas e espaços diversos, que nos encontramos”, contou.
O deputado recordou que há dez anos está na política formal e que muitos consideram esse espaço problemático.
“Convivemos com 53 parlamentares que não pensam como nós. Aqui temos convergência e consenso em muitas ideias, mas no parlamento e na sociedade a realidade é diferente. Convivemos cotidianamente com pessoas que pregam e praticam a violência política, de gênero e outras”, revelou.
Goura disse que avanços como ciclomobilidade, áreas verdes, proibição da exportação de animais vivos, promoção da igualdade de gênero e racial, e a aprovação da política pública de acesso gratuito à medicamentos à base de cannabis pelo SUS só ocorrem quando se ocupam os espaços na política quando se luta por essas pautas.
“Após esses dez anos, afirmo que precisamos ocupar a política. Se não ocuparmos esses espaços, outros o farão e decidirão por nós”, afirmou Goura. “Acredito que o punk e a vida são políticos. Tudo o que fazemos, como respirar, fazer compras, relacionar-se, possui uma dimensão política que não podemos ignorar. Precisamos qualificar, ampliar e ocupar esses espaços.”
“Tenho orgulho do trabalho realizado nestes dez anos em pautas como agricultura urbana, cannabis medicinal, mobilidade por bicicleta, visão zero no trânsito e incentivo à cultura. Este mandato precisa continuar, e convoco a força de todos para seguirmos juntos nesta caminhada”, disse.
Confira as fotos da roda de conversa:
Punk aos 14 anos
Roberta Cibin, baixista, ativista pelos direitos das mulheres e secretária municipal de Assistência Social e Habitação de Rio Branco do Sul, contou que tudo começou que ela era na menina punk de 14 anos.
“No meu aniversário, uma amiga da minha família perguntou o que eu queria ganhar. Eu disse que queria o disco dos Ramones ou do Nirvana. Ela me deu o Mondo Bizarro, dos Ramones, em vinil. Pronto, mudou minha vida inteira. Se tivesse me dado o do Nirvana, podia ter sido outra coisa, mas foi o disco dos Ramones que ganhei no meu aniversário de 14 anos” contou Roberta.
Ela lembrou que talvez um dia o punk tenha sido a música que ela escutava. “Hoje, o punk acaba sendo tudo o que somos e fazemos, no improviso. Acho que é isso. A gente quer tanto meter a cara para mudar as coisas que faz no improviso, sem saber mesmo, mas vai no espírito da raiz do faça você mesmo e resolve.”
Roberta falou sobre ser suplente de vereadora e ocupar o cargo de secretária de Assistência Social e Habitação no município de Rio Branco do Sul há um ano e meio. “Será que o que faço hoje em dia é punk? A política eu sei que é”, disse.
“Talvez a coisa mais punk que eu já fiz na vida seja ser mãe de uma menina neste mundo muito louco em que vivemos, mas ocupar a política é uma das mais punk também”, ironizou.
Segundo ela, colocar a cara para criar rede, conversar, dialogar, trazer para perto, dar voz a quem tem menos voz do que nós dentro da política institucional é uma batalha de todos os dias é punk.
“É um prazer estar aqui para conversar com todo mundo. É um prazer enorme fazer essa caminhada ao lado do Goura e dos meus amigos e amigas que estão aqui. Sigo acreditando, de verdade, Goura, no seu trabalho, no quanto você é necessário na Assembleia Legislativa e no quanto você me inspira por essa política do diálogo, da camaradagem e da troca”, concluiu Roberta.
Baterista e punk
A baterista, produtora cultural e coordenadora do Rock Camp Curitiba, Babi Age, disse que é punk desde sempre.
“Além de ser uma mulher baterista há 30 anos e ser lésbica sempre tive de bater no peito e enfrentar muita gente para conseguir ser o que eu queria ser. Alguém que acredita em um mundo melhor, com pessoas se ajudando.”
“Nós fazemos política assim: pegamos grupos de mulheres e dizemos que elas podem e conseguem tocar um instrumento em cima de um palco. Eu saio de casa diariamente fazendo política por ser mulher, lésbica e baterista. Sou criticada por muita gente e escuto de tudo, desde piadas até ofensas. Por isso, sair de casa diariamente para mim é fazer política”, declarou Babi.
Movuca em movimento
Jessica Emme, designer, professora, revisora, assistente de pesquisa e integrante da Movuca, coletivo dedicado à pesquisa e documentação da cena rock de Curitiba e da Região Metropolitana contou que o principal objetivo do Movuca é saber quem é a galera do meio, quem faz a música, quem forma o público, quem trabalha no backstage, quem atende e vende cerveja. “Enfim, queremos saber quem somos nós e o que precisamos.”
Contradições do filósofo
O vocalista da banda Colligere, doutor em Filosofia pela UFPR e assessor parlamentar do deputado Goura, Rodrigo Ponce, lembrou de fazer fanzine e das coisas que aprendeu no punk, como pintar, cortar, fazer zine, tocar, cantar.
“Muito jovem eu me envolvi com o punk como aconteceu com, provavelmente, todos vocês. O punk fez um buraco na minha cabeça. O mundo passou a ser outro; todos os filtros que eu usava foram outros. Quase tudo o que aprendi de princípios e valores, além da Igreja Católica onde fui formado como criança, veio depois do punk. É bizarro falar isso, mas é a realidade”, contou Ponce.
Ele lembrou desses oito anos como assessor parlamentar e falou um pouco sobre ser punk e político nessa perspectiva de quem vem do punk. “Eu estudei Filosofia e estar trabalhando dentro de um gabinete é punk. E não é à toa que o punk é antipolítica também. Essa é a contradição que eu quero colocar para vocês”, disse.
Ponce completou: “Não é fácil, não é legal, não é gostoso, é uma merda. Mas a gente tem que fazer política. Lidar com essa contradição é muito mais fácil em comunidade, assim como todas as contradições e dificuldades que cada um aqui tem na vida. É muito mais fácil em comunidade”, concluiu.

Goura é Deputado Estadual em seu segundo mandato e presidente do PDT-PR. Mestre em Filosofia (UFPR), professor de yoga e ativista, consolidou-se como um dos parlamentares mais atuantes do Paraná, com 55 leis aprovadas. Após conquistar o 2º lugar para a Prefeitura de Curitiba em 2020 com mais de 110 mil votos, reafirma seu compromisso com a capital como pré-candidato em 2024. Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista.




